quarta-feira, 25 de março de 2020

ISOLAMENTO DE 14 DIAS TOTAL


Período de isolamento

é suficiente, 
mas requer cuidados


Médicos ensinam a evitar risco de contaminar outras pessoas em casa
         




         



      



Publicado em 24/03/2020 - 19:01 Por Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil - Brasília



O isolamento por 14 dias é, em geral, suficiente para garantir que alguém que tenha sido infectado pelo novo coronavírus não contamine pessoas próximas. A garantia fica ainda maior quando embasada por exames laboratoriais, explicam especialistas consultados pela Agência Brasil. Eles, no entanto, alertam para cuidados que se deve ter nos casos em que o doente isolado mora com outras pessoas e, principalmente, quando entre eles há um idoso.


“O prazo de 14 dias corresponde ao tempo de transmissão do vírus”, explica a presidente da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, Heloísa Ravagnani. Segundo a médica, após esse período, o paciente pode voltar às atividades normais. “A princípio, sem restrições, desde que esteja se sentindo bem, sem sintomas e com os exames voltando à normalidade.”


De acordo com Heloísa, as pessoas costumam confundir quarentena com isolamento. Enquanto a primeira medida é determinada pelo governo, estabelecendo um prazo necessário para que todos fiquem afastados socialmente de forma a evitar a disseminação do vírus, o isolamento é diferente, por ser voltado a pessoas com suspeitas ou que, de fato, estejam contaminadas.


“No caso da quarentena, as pessoas só saem de casa para fazer coisas de extrema necessidade, como ir à farmácia, à padaria, ao mercado. Obviamente sob a condição de que não façam disso um evento social. Já os cuidados da pessoa em isolamento são diferentes, pela suspeita de doença”, disse a infectologista à Agência Brasil.


Cuidados durante isolamento


A médica diz que o ideal é que a pessoa fique sozinha em um cômodo, de preferência em um quarto com banheiro. Ela fica dentro desse ambiente, a princípio sem máscara, mas tendo de higienizar com álcool todos os objetos de que fizer uso frequente.

Caso o banheiro seja de uso comum, é importante que a pessoa sob isolamento seja a última a usá-lo e que, sempre após o uso, higienize-o com álcool 70% ou hipoclorito em todos os locais tocados. “E todas vezes que sair do quarto e tiver contato com outras pessoas na casa, tem de usar máscara para evitar a transmissão.Os objetos que serão descartados – caso dos lenços, por exemplo – devem ser fechados em sacos para depois serem juntados ao lixo da família e, enfim, recolhidos pelos serviços de limpeza.


Heloísa acrescenta que o doente não pode dividir talher, copo ou prato com outras pessoas. “É importante que a pessoa troque a própria roupa de cama, que tem de ser colocada em saco plástico para levar e ser lavada em separado”, explica Heloísa.


Membro da Sociedade Brasileira de Infectologista, José David Urbaez Brito diz ser também indicado que a limpeza do quarto seja feita pelo próprio paciente isolado. Já a higiene das mãos deve ser feita com água e sabão, por pelo menos 1 minuto; ou com álcool gel 70%, por 20 ou 30 segundos.


“Quanto à alimentação, o fornecimento tem de ser feito de forma a não possibilitar o contato com o paciente. Se não tiver outro jeito, quem for cuidar do paciente tem de usar máscara cirúrgica, se manter a 2 metros do paciente, e usar avental impermeável”, disse o médico.

Famílias grandes em casas pequenas


A maior preocupação, segundo os dois especialistas, é com os idosos. Principalmente quando a família mora em casas ou apartamentos de pequenos cômodos. “É comum famílias morando em um ou dois cômodos, e em um ambiente muito pequeno não tem jeito: as pessoas vão acabar sendo expostas ao vírus. A começar pelo fato de ser importante que se tenha um colchão específico para a pessoa com a covid-19”, explica Heloísa Ravagnani.


A presidente da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal diz que nessas situações os cuidados devem ser ainda maiores. “Como vive muito próxima a outros, a pessoa ter de usar a máscara todo o tempo. O problema é que a máscara deve ser trocada depois de ficar úmida ou a cada duas horas.”


Idosos


Brito alerta que, no caso dos idosos, é de extrema importância o isolamento total. “Não pode ter contato com ninguém, e essa é a grande angústia quando se tem, entre os familiares que vivem na mesma casa, uma pessoa contaminada.”

Ele aponta como solução as autoridades adotarem medidas que viabilizem outros locais onde o idoso possa permanecer enquanto algum dos entes com quem mora estiver em situação de isolamento.

Uma das possibilidades sugeridas por ele é aproveitar a baixa movimentação de hotéis e albergues para disponibilizá-los a idosos que moram com pessoas infectadas ou com suspeita de contaminação.


Edição: Nádia Franco / Liliane Farias


sexta-feira, 6 de março de 2020

Japão e Coreia do Sul


Japão impõe mais restrições a visitantes para conter novo coronavírus
País vai estabelecer quarentena para chineses e sul-coreanos


Publicado em 06/03/2020 - 06:14 Por NHK* - Tóquio



O governo japonês está ampliando as medidas para conter a propagação do novo coronavírus. Até a próxima segunda-feira (9), o país vai iniciar a imposição de quarentena para visitantes procedentes da China e Coreia do Sul.

"Vamos solicitar às pessoas provenientes desses dois países, que entrem no Japão, a permanecer duas semanas em locais especialmente designados pelo chefe de quarentena, além de não usarem sistemas de transporte público".

As medidas vão vigorar até o dia 31 de março e serão aplicadas a todas as pessoas que ingressarem no país procedentes desses dois países, incluindo as de nacionalidade japonesa.

O governo também vai suspender alguns vistos emitidos para chineses e coreanos.

Será ampliada sua lista de proibição de viagens, incluindo partes do Irã e novas áreas da Coreia do Sul, a partir de 7 de março.

Legisladores deverão aprovar um projeto de lei, até mesmo na próxima semana, que permitirá que o premiê declare estado de emergência em resposta ao surgimento do novo coronavírus.

A legislação permitirá que governos locais controlem horas de atividade de alguns setores de negócios, fechem escolas e instruam pessoas a permanecer em casa. As autoridades também poderão usar edifícios e terrenos, mesmo sem o consentimento dos proprietários, para fins médicos.
Coreia do Sul lamenta medidas
O Ministério do Exterior da Coreia do Sul lamentou a decisão do Japão, de impor quarentena por duas semanas aos visitantes procedentes do país.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, o ministério disse lamentar o que descreveu como uma medida irracional e excessiva. Acrescentou que consultas realizadas entre os dois países têm sido insuficientes.

A declaração cita, também, que a prioridade máxima do governo é a manutenção da saúde e segurança dos seus cidadãos, e que Seul poderá tomar ações em resposta às medidas do Japão.

Atualmente, o governo está mantendo um alerta de nível mais baixo para viagens ao Japão, mas o ministério sul-coreano indicou que poderá elevar esse nível.

*Emissora pública de televisão do Japão
Edição: -


quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Um pais terrivelmente desigual


Acesso a nível superior no Brasil é abaixo dos padrões internacionais
Publicado em 06/11/2019 - 10:04
Por Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro


Apesar de o acesso à educação infantil ter aumentado nos últimos anos, com a frequência escolar na faixa etária de até 3 anos subindo de 30,4%, em 2016, para 34,2% em 2018 e na idade de 4 e 5 anos ter passado de 90,2% para 92,4%, o acesso ao ensino superior continua muito restrito, estabilizado em 32,7% dos jovens de 18 a 24 anos estudando.

Os dados estão na pesquisa Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2019, lançada hoje (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que analisa as condições de vida da população brasileira.

Segundo a pesquisadora do IBGE Betina Fresneda, que integra a coordenação de Educação da SIS, a entrada dos jovens no ensino superior não está compatível com os padrões internacionais. Ela explica que as metas do Plano Nacional de Educação estabelecem para 2024 a proporção de 33% dos jovens cursando a faculdade na idade correta, enquanto em 2018 a taxa foi de 23,1%.

“A gente tem um residual da população jovem com ensino superior relativamente baixo, a gente tem que aumentar muito ainda a entrada dos jovens no ensino superior, não temos um padrão compatível com o padrão internacional, apesar de já ter garantido o acesso universal na educação básica”, argumentou.

Na faixa de 6 a 10 anos e de 11 a 14 anos, o acesso está praticamente universalizado, com 99,6% e 99,1% das crianças na escola. Já no ensino médio, com idade de 15 a 17 anos, a frequência cai para 88,2%, um leve aumento na comparação com 2016, quando 87,2% dos jovens nessa idade estavam estudando. De acordo com Betina, há 1,2 milhão de jovens de 15 a 17 anos fora da escola.

“O Brasil universalizou o acesso ao ensino fundamental só na década de 1990, vários países da América Latina já tinham passado por esse processo de expansão do sistema de ensino antes. Isso se reflete num atraso para você superar mais rapidamente essas defasagens de nível de instrução”, disse.

Nos indicadores sobre acesso à educação, a pesquisa mostra que 27,6% tinham alguma restrição em 2018. São consideradas aqui crianças e adolescentes de 6 a 14 anos que não frequentam escola, pessoas com mais de 15 anos analfabetas e maiores de 16 anos sem o ensino fundamental completo.

Analfabetismo
A pesquisa indica que o nível de instrução da população brasileira está melhorando, mas ainda está longe de patamares internacionais. Enquanto a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de pessoas de 25 a 64 anos que não concluíram o ensino médio é de 21,8%, no Brasil o índice é mais do que o dobro: 49%.

Para o ensino superior completo no grupo entre 25 e 34 anos, a média da OCDE é de 36% e no Brasil é de 19,7%.

O índice de analfabetismo no país está em 7,2%, uma queda na comparação com 2015, quando a taxa ficou em 8%. Naquele ano, o Brasil ocupava a quinta posição com a maior proporção de analfabetos na América Latina, à frente apenas de Guatemala, Honduras, El Salvador e República Dominicana.

O país da região com o menor índice de analfabetismo é Cuba, com 0,2%, seguido de Argentina, com 0,8% e Uruguai, que tem 1,5% da população analfabeta.


Divulgação/IBGE
Quanto ao salário inicial pago aos docentes, o Brasil está atrás de todos os países da OCDE, com um total anual de US$ 13.971 na educação básica. A média da OCDE é US$ 34.534, chegando perto de US$ 80 mil em Luxemburgo e acima de US$ 60 mil na Alemanha e na Suíça.

O Plano Nacional de Educação estabelece que até 2020 os docentes da educação básica da rede pública devem ter seus salários equiparados aos demais profissionais com formação equivalente. Porém, de acordo com o IBGE, a proporção era de 74,8% em 2017.

A pesquisa indica que, em 2018, 95,7% dos municípios brasileiros tinham aprovado um plano de carreira para os professores, mas 25,8% não tinham definido o piso salarial. E em 69,5% dos municípios a indicação dos diretores de escola seguia somente indicação política.

Desigualdade racial
A desigualdade racial do Brasil também se reflete no acesso à educação, principalmente ao ensino superior. Entre os jovens brancos de 18 a 24 anos, 55,7% não frequentam escola e não tem a etapa concluída, 8,2% frequentam a escola fora da etapa adequada e 36,1% estão na etapa adequada para a idade. Já entre os pretos e pardos, as proporções são de 68,9% fora da escola, 12,8% fora da etapa adequada e 18,3% na etapa adequada para a idade.

Quando se verifica a taxa de desocupação por cor ou raça, o IBGE comprova a desigualdade racial em todos os níveis de instrução, apesar dessa diferença diminuir com o aumento da escolaridade.

Na média, a desocupação entre as pessoas brancas fica em torno de 9,5% e entre as negras é de 14,1%. Na faixa sem instrução ou ensino fundamental incompleto, a taxa fica em 8,4% para os brancos e 12,7% para os negros, enquanto 5,5% das pessoas brancas com ensino superior estão sem trabalho e 7,1% das negras na mesma condição de ensino.

Na faixa com ensino fundamental completo ou ensino médio incompleto a proporção de desocupação é de 13,7% entre brancos e de 18,4% entre pretos e pardos e para quem tem ensino médio completo ou ensino superior incompleto a taxa é de 11,3% entre brancos e 15,4% entre negros.
Saiba mais
Edição: Kleber Sampaio
Tags: pesquisa IBGE

terça-feira, 9 de julho de 2019

Economia angolana


Economia angolana não dá sinais de vitalidade, analistas pedem medidas
julho 08, 2019
·             Manuel José







Quase a atingir o segundo ano de mandato de João Lourenço, a economia angolana não dá o salto que pretende, com a consultora internacional Focus Economics a rever em baixa o crescimento do país para 0,2 porcento e uma expansão económica do PIB para 2020 de 1,5 por cento.
O especialista em gestão de políticas públicas David Kissadila diz que
a Focus tem toda razão.



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                  Janela de Pop-up                     

"Estamos perante uma situação de teorização da economia em que o Governo apenas se apega a leis econômicas, mas a prática não faz o que teoriza", sublinha aquele economista, que sugere, como medidas, “a redução das importações e incentivo ao investimento privado para que haja aumento da produção e produtividade, ao mesmo tempo que o país poderá poupar divisas em áreas que não são necessárias, como na importação de alimentos que podem ser produzidos localmente, ao mesmo tempo que haverá mais empregos”.
Por seu lado, o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), Jose Severino, coloca algumas reticências a este tipo de avaliações e quem avalia, mas defende maior celeridade em algumas medidas.
“Temos de nos virarmos para dentro do país, a época dos dólares acabou, agora é usar com racionalidade os poucos dólares que existem”, aponta Severino, quem defende maior “agressividade no investimento interno”.
No documento, enviado aos clientes, a FocusEconomics ressalva que "no início de 2019 uma deterioração adicional na indústria petrolífera parece ter abrandado o crescimento e acrescenta que "a produção de petróleo cambaleou até maio e as exportações provavelmente perderam o ímpeto na segunda metade do segundo trimestre com a descida dos preços".


https://www.voaportugues.com/a/economia-angolana-n%C3%A3o-d%C3%A1-sinais-de-vitalidade-analistas-pedem-medidas/4991432.html