quarta-feira, 7 de junho de 2017

Importa o carater, são guerreiros



Eles são esportistas. Eles são gatos. Eles são abertamente gays
Por Neto Lucon em 11/09/2015 às 12h16






Na história do esporte, raríssimos atletas revelaram com tranquilidade serem membros da comunidade LGBT. Alguns até arriscavam declarar-se, mas sempre depois da aposentadoria. Era a preocupação de evitar a LGBTfobia e problemas com os clubes, patrocinadores, torcidas...

+ Esportistas posam nus para calendário contra a homofobia

Apesar do preconceito ainda latente, os tempos mudaram e o arco-íris também mostrou força no esporte. Nos últimos anos, jovens atletas - e ainda atuantes - bateram no peito e "saíram do armário" publicamente. Seja em revistas, páginas pessoais ou nos bastidores do próprio clube.

Os comunicados públicos ajudam a quebrar o preconceito - uma vez que a sociedade passa a ver LGBTs atuantes e arrasando em todos os segmentos, até mesmo nos machistas. E também estimular outros atletas que fazem parte da diversidade a estarem confortáveis com a orientação sexual e a identidade de gênero.

Afinal, a representatividade (quando um grupo ou pessoa se vê representado em espaço por alguém) é importante. Até o dia em que revelar-se gay, lésbica, bissexual, travesti, mulher transexual ou homem trans não precise ser mérito dos corajosos. Abaixo uma lista com 16 homens que são esportistas, que são lindos (sim, sabemos que vocês gostam disso!) e que são gays.

Confira:


Tom Daley, saltos ornamentais, 21 anos


Foi em dezembro de 2013 que o gatinho britânico de sungas cavadas revelou ser gay e estar namorando um homem. O eleito foi o diretor Dustin Lance Black. Além de arrasar na disputas - detalhe: ele foi classificado para os Jogos Olímpicos no Rio, em 2016 - Tom já foi eleito diversas vezes o homem mais sexy do ano.


Michael Sam, jogador de futebol americano, 25 anos


Ele tem o mérito de ter sido o primeiro homossexual a ser contratado pela NFL, a mais importante liga do esporte, em 2014. Na comemoração, deu um apaixonado beijo no namorado. Desde então, passou por vários times e misteriosamente declarou se aposentar.


Ian Matos, saltos ornamentais, 26 anos
Sim, ele é brasileiro e representou o país em várias competições, como os Jogos Pan-Americanos de 2011, em Guadalajara, no México. Ao revelar ser gay em janeiro de 2014, o paraense disse: "Você pode ser gay e feliz". 


Robbie Rogers, jogador de futebol, 28 anos


O norte-americano que joga como meia pelo Los Angeles Galaxy revelou ser gay em uma postagem de seu blog. Com sua visibilidade, criticou a escolha da Rússia e Qatar - dois países considerados LGBTfóbicos - para a seda da Copa do Mundo.


Amini Fonua, nadador, 25 anos


O neozelandês que chamou atenção nas Olimpíadas de Londres em 2012 faz parte do grupo de atletas assumidos - e lindos. Ele chegou a falar sobre a experiência dentro do esporte para a revista gay Out.


Jason Collins, jogador de basquete, 36 anos


O californiano (de lábios carnudos!) foi o primeiro atleta em atividade na NBA a se assumir gay em abril de 2013. "Não desejava ser a criança do colégio a levantar a mão e dizer: “Eu sou diferente”. Mas ninguém fez, então levanto a mão".
Thomas Hitzlsperger, jogador de futebol, 33 anos
O alemão chegou a participar da Copa do Mundo, chegou 52 partidas pela seleção alemã e revelou a homossexualidade depois de anunciar a aposentadoria em 2014. "Falo  porque quero impulsionar a discussão sobre o tema no esporte profissional". 


Matthew Mitcham, saltos ornamentais, 27 anos


O belo australiano revelou a homossexualidade em 2008. Na época, ele se preparava para as Olimpíadas de Pequim. Foi o campeão olímpico na plataforma de 10 metros, tendo recebido a maior pontuação na história olímpica.


Orlando Cruz, boxeador, 34 anos


O porto-riquenho apelidado de "O Fenômeno Cruz" revelou ser gay em 2012. E não quis saber de deixar a relação por baixo dos panos. Além de falar sobre o romance publicamente, em 2013 ele se casou com José Manuel Colón em Nova York. 


Alan Gendreau, jogador de futebol americano, 25 anos


Aos 16 anos, o atleta já havia revelado ser gay. E isso nunca foi segredo - e nem o impediu de seguir a carreira no futebol americano. Utiliza a sua visibilidade para colocar em debate assuntos da comunidade LGBT.
Keegan Hirst, jogador de rugby, 27 anos


No último mês, este bofão inglês revelou ao público que é gay. A declaração foi feita em entrevista ao tabloide britânico Sunday Mirror. "Agora me sinto livre", afirmou o capitão do Bulldogs Batley.


Gareth Thomas, jogador de rugby, 41 anos


Dono de um corpo incrível para homem nenhum botar defeito, o jogador é recordista de partidas na seleção de País de Gales. Revelou ser gay em 2009 e posou exatamente como você vê acima para a revista gay Attitude. Hmmm...
Blake Skjellerup, patinador de velocidade, 30 anos



Mais que ter se assumido gay, foi neste ano que o atleta da Nova Zelândia disse "sim" ao estilista Saul Carrasco. A unão ocorreu no Havaí. Vale lembrar que o bonitão já posou para um ensaio sensual da GT. 

Brad Thorson, jogador de rugby


O norte-americano, que é assumidíssimo, teve que deixar a carreira após uma lesão. E atualmente viaja pelo mundo e incentiva outros atletas a revelarem fazer parte da diversidade sexual.

Darren Young, lutador de wrestiling, 31 anos


Participante de programas como NXT e WWE NXT, voltados a uma modalidade de luta livre, ele é um dos maiores destaques. Ele saiu do armário em entrevista ao TMZ, quando foi questionado se lutadores gays poderiam ser sucesso. Simplesmente disse: "Olhe para mim".  


Ari-Pekka Liukkonen, nadador, 26 anos


Revoltado com as lei anti-gays na Rússia, que sediou os jogos olímpicos de inverno em 2013, o atleta finlandês saiu do armário para dar visibilidade ao assunto. Visibilidade importante e linda, né?





sábado, 13 de maio de 2017

No Brasil é assim



Prisão nada temporária
11/05/2017 02h00










Posto na ordem do dia pelos procedimentos da Lava Jato, o pertinente debate acerca de eventuais abusos nas prisões temporárias não pode limitar-se aos casos dos suspeitos de grande notoriedade investigados pela operação. 

Quando contabilizados os detentos anônimos nessa situação, descortina-se um quadro espantoso no país: são 221 mil, segundo levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o que representa 34% da população carcerária brasileira. 

Esse vasto contingente inclui tanto presos que ainda não foram julgados quanto condenados em primeira instância que aguardam análise de recursos. A ineficiência da Justiça em dar celeridade aos processos acaba por estender a permanência de muitos na cadeia. 

Em Pernambuco, exemplo mais flagrante dessa lentidão, um preso espera, em média, mais de dois anos pelo primeiro julgamento. 

No atual entendimento do Supremo Tribunal Federal, a execução da pena deve começar após a condenação em segunda instância. Antes disso, pelo Código do Processo Penal, a prisão pode ocorrer apenas em circunstâncias específicas —quando, por exemplo, há riscos à ordem pública, de destruição de provas ou de fuga dos suspeitos. 

É compreensível, num país com altíssima taxa de criminalidade, que se clame por punições severas. Nada indica, contudo, que manter tantas pessoas em penitenciárias já abarrotadas seja política eficaz. 

Cada preso custa aos cofres públicos, em média, R$ 2.400 mensais. Numa comparação muito frequente, é bem mais do que se desembolsa com os estudantes da rede pública. Apenas os presos provisórios demandam R$ 6,4 bilhões anuais dos orçamentos. 

Tal soma poderia ser justificada se houvesse ganhos perceptíveis nas políticas de segurança. Mas, pelo contrário, o fracasso do poder público nacional no setor carcerário é evidente. Notam-se, cada vez mais, os casos de presídios dominados por facções criminosas. 

Indivíduos amontoados em celas superlotadas tornam-se alvo fácil de hordas como o PCC e incrementam a violência, atrás e além das grades. 

Parece mais sensato, portanto, priorizar o encarceramento de criminosos que de fato representem ameaça a terceiros. Para outros casos, os tribunais já dispõem de penas alternativas eficientes, como multas e o uso de tornozeleiras eletrônicas. 

É fundamental, decerto, acelerar o julgamento dos casos pendentes. Não será o bastante, porém. As centenas de milhares de mandados de prisão ainda não cumpridos evidenciam que é necessária uma ampla revisão das práticas do Judiciário.