quarta-feira, 21 de março de 2018

Banco Central reduz juros básicos da economia para 6,5% ao ano

Pela 12ª vez seguida, o Banco Central (BC) baixou os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu hoje (21) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 6,75% ao ano para 6,5% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.
Com a redução de hoje, a Selic continua no menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986. De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Em outubro de 2016, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,75% ao ano em fevereiro, o nível mais baixo até então.
Em comunicado, o Copom informou que a inflação evoluiu de forma melhor que o esperado nesse início de ano. De acordo com o BC, o comportamento da inflação permanece favorável, com diversos preços mais sensíveis aos juros e ao ciclo econômico em níveis baixos. O órgão sinalizou que deve continuar a reduzir os juros na próxima reunião, em 15 e 16 de maio, mas que deve interromper o ciclo de quedas depois disso.

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 “Para a próxima reunião, o comitê vê, neste momento, como apropriada uma flexibilização monetária moderada adicional. O comitê julga que este estímulo adicional mitiga o risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas”, destacou o texto. “Para reuniões além da próxima, salvo mudanças adicionais relevantes no cenário básico e no balanço de riscos para a inflação, o comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária”, acrescentou o comunicado.
Apesar do corte de hoje, o Banco Central está afrouxando menos a política monetária. De abril a setembro, o Copom havia reduzido a Selic em 1 ponto percentual. O ritmo de corte caiu para 0,75 ponto em outubro, 0,5 ponto em dezembro e 0,25 ponto nas reuniões de fevereiro e de hoje.
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumula 2,84% nos 12 meses terminados em fevereiro, abaixo do piso da meta de inflação, que é de 3%. O IPCA de março só será divulgado no início de abril.
Até 2016, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Para 2017 e 2018, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. A inflação, portanto, não poderá superar 6% neste ano nem ficar abaixo de 3%.
Inflação
No Relatório de Inflação, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária estima que o IPCA encerrará 2018 em 4,2%. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 3,63%.
Do fim de 2016 ao fim de 2017, a inflação começou a diminuir por causa da recessão econômica, da queda do dólar e da supersafra de alimentos. Depois de uma pequena subida no fim do ano passado, por causa dos reajustes dos combustíveis, os índices voltaram a cair no início deste ano. O recuo foi motivado por novas quedas nos preços dos alimentos e dos serviços, setor ainda afetado pela demora na recuperação da economia.
Crédito mais barato
A redução da taxa Selic estimula a economia porque juros menores barateiam o crédito e incentivam a produção e o consumo em um cenário de baixa atividade econômica. Segundo o boletim Focus, os analistas econômicos projetam crescimento de 2,83% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2018. A estimativa está superior à do último Relatório de Inflação, divulgado em dezembro, no qual o BC projetava expansão da economia de 2,6% este ano.
A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

Texto ampliado às 18h17 para acréscimo das informações do comunicado do Copom
Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil 
Edição: Wellton Máximo

quarta-feira, 14 de março de 2018

O povo cubano e seu destino

Eleições em Cuba: eleitores iniciam escolha de novas lideranças
2018-03-13 14:03:28portuguese.xinhuanet.com




Por Raimundo Urrechaga
Havana, 11 mar (Xinhua) -- Milhões de cubanos foram às urnas no domingo para eleger mais de 600 deputados para o Parlamento da ilha. Os eleitos representarão uma nova geração de líderes na nação caribenha, marcando uma mudança histórica.

Mais de 24 mil colégios eleitorais foram abertos em todo o país para que os cubanos exercessem seu direito de voto e escolhessem entre os candidatos à Assembleia Nacional do Poder Popular, um órgão legislativo que, por sua vez, elegerá o presidente do país em abril.

O atual líder de Cuba, Raul Castro, de 87 anos, anunciou ao parlamento, em dezembro, que não buscará a reeleição para um terceiro mandato de cinco anos, o que abriria um novo capítulo na história do país.

Será a primeira vez, desde 1976, que alguém sem o sobrenome Castro será presidente de Cuba, desde a revolução de 1959.

"Acho que a mudança de presidente será boa porque dessa forma teremos um líder com ideias mais recentes e atuais", disse à Xinhua Rosalia Martinez, estudante universitária de 22 anos.

Analistas esperam que o sucessor de Castro seja Miguel Diaz-Canel, o atual primeiro vice-presidente do país. Diaz-Canel exerceu o direito de voto no domingo, na província natal de Villa Clara, no centro de Cuba, onde foi nomeado.

Se eleito, Diaz-Canel, um engenheiro de 57 anos, não provocaria mudanças significativas, porque ele defende a continuidade política na ilha e mantém o modelo socialista, dizem os analistas.

"O governo eleito servirá ao povo, e as pessoas terão voz nas decisões. Este será um governo que atende ao que as pessoas querem", disse ele a jornalistas depois de votar.
No final da tarde, a Comissão Nacional Eleitoral (CEN) disse que mais de 6,9 milhões de cubanos votaram, representando 78,5% dos eleitores registrados.

Os resultados finais serão apresentados na segunda-feira pelo CEN em coletiva de imprensa.

Historicamente, a participação eleitoral na ilha é de cerca de 90%, embora a votação seja voluntária e o número de candidatos seja tradicionalmente igual ao número de cargos disponíveis.

Os cubanos acreditam que este processo irá aprofundar as reformas econômicas e sociais iniciadas por Castro e também melhorar suas vidas.

"Eu acho que o novo governo continuará trabalhando para melhorar nossas ações como sociedade, como país, como nação", disse Edgar Martin, um advogado de 40 anos, à Xinhua.

Sua esposa, Iselda Damerafon, que também votou no domeingo numa escola de Havana, disse à Xinhua que os desafios dos novos líderes serão ainda maiores, porque não se trata simplesmente de assumir um cargo, mas de defender o legado de Fidel Castro e Raúl Castro .

Além disso, ela disse, eles devem tomar decisões importantes para promover o desenvolvimento da ilha, já que a atual situação econômica de Cuba não é a melhor.

"A nova liderança terá mais responsabilidades e deve aprofundar o processo de reformas econômicas. Eles precisam atender às pessoas e trabalhar para o crescimento e o progresso de nosso país", acrescentou.

Alicia Zayas e José Gabriel Navarro, dois estudantes universitários acompanhados por seus pais e avós, também votaram nas eleições.

"Vir votar é um exercício democrático muito importante para todos os cidadãos, porque aqui nós decidimos quem serão nossos próximos líderes e é bom ter uma opinião na escolha de quem acreditamos ser o mais capaz", disse Navarro à Xinhua .

Enquanto isso, Zayas disse que o voto não é apenas num candidato, mas sim no futuro da nação, porque determinará como o novo governo será formado.

"Como jovem e mulher, sinto-me orgulhosa de testemunhar essa mudança. É verdade que Fidel e Raul (Castro) foram muito bons para este país e entrarão para a história, mas é muito importante dar lugar às novas gerações e estou muito animada para ver isso acontecer ", disse ela.

O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, que está entre os líderes mais jovens do país, disse que o processo eleitoral é uma autêntica demonstração de democracia, à medida que as pessoas vão às eleições para escolher quem liderará a nação e tornar o socialismo da ilha mais eficiente e justo.

"A Assembleia Nacional elegerá o novo Conselho de Estado e seu presidente. Ele será feito por voto secreto e direto dos deputados eleitos e haverá um certo senso de renovação e continuidade", acrescentou.

De acordo com dados oficiais, a idade média dos candidatos nesta eleição é de 49 anos, mais de 86% deles possuem um diploma universitário e 53,6 % são mulheres, números que tornariam o novo parlamento de Cuba o segundo maior em termos de representação feminina no mundo.

A mudança histórica ocorrerá oficialmente após 19 de abril, quando os deputados eleitos votarão nos 31 membros do Conselho de Estado, incluindo seu novo presidente, primeiro vice-presidente, 5 vice-presidentes e outros membros.


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Café, café!



Mercado de cafeterias da China desfruta de enorme potencial
2018-01-28 16:17:27portuguese.xinhuanet.com












Beijing, 28 jan (Xinhua) -- Embora seja conhecida como um país amante do chá, a China deverá tornar-se em um dos maiores mercados de cafeterias graças ao crescente interesse e poder aquisitivo dos consumidores, segundo um relatório da indústria.

O setor chinês das cafeterias registrou um crescimento de 13% em suas receitas em 2016, atingindo 19 bilhões de yuans (US$ 3bilhões), de acordo com um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa de Indústria Qianzhan.

O mercado atingirá 48 bilhões de yuans por volta de 2023, com uma taxa de crescimento anual de 11-15%, estima o relatório.

Até o final de 2016 havia no país 85 mil cafeterias, enquanto em 2007 havia menos de 16 mil, a maioria das quais pertenciam a cadeias estrangeiras.

A China consumiu 128.200 toneladas de grãos de café em 2016. Com um aumento médio anual de mais de 22% desde 2006, hoje o país é um dos maiores consumidores de café no mundo.

No entanto, seu consumo de café per capita continua muito por detrás do dos Estados Unidos, Europa, Japão e República da Coreia.

O mercado das cafeterias do país tem perspectivas brilhantes, graças ao surgimento de um grupo de consumidores jovens com maiores receitas e interação internacional, assinala o documento.

As cidades da terceira categoria e categoria mais baixa presenciarão uma expansão mais acelerada de cafeteiras em comparação com as cidades grandes, onde fica já a maioria das cafeterias chinesas, segundo o estudo.