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terça-feira, 14 de abril de 2020
quarta-feira, 25 de março de 2020
ISOLAMENTO DE 14 DIAS TOTAL
Período de isolamento
é suficiente,
mas requer cuidados
Médicos ensinam a
evitar risco de contaminar outras pessoas em casa
Publicado em 24/03/2020 - 19:01
Por Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil - Brasília
O isolamento por 14
dias é, em geral, suficiente para garantir que alguém que tenha sido infectado
pelo novo coronavírus não contamine pessoas próximas. A garantia fica ainda
maior quando embasada por exames laboratoriais, explicam especialistas
consultados pela Agência Brasil. Eles, no entanto, alertam para
cuidados que se deve ter nos casos em que o doente isolado mora com
outras pessoas e, principalmente, quando entre eles há um idoso.
“O prazo de 14 dias
corresponde ao tempo de transmissão do vírus”, explica a presidente da
Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, Heloísa Ravagnani. Segundo a
médica, após esse período, o paciente pode voltar às atividades normais. “A
princípio, sem restrições, desde que esteja se sentindo bem, sem sintomas e com
os exames voltando à normalidade.”
De acordo com
Heloísa, as pessoas costumam confundir quarentena com isolamento. Enquanto a
primeira medida é determinada pelo governo, estabelecendo um prazo necessário
para que todos fiquem afastados socialmente de forma a evitar a disseminação do
vírus, o isolamento é diferente, por ser voltado a pessoas com suspeitas ou que,
de fato, estejam contaminadas.
“No caso da
quarentena, as pessoas só saem de casa para fazer coisas de extrema
necessidade, como ir à farmácia, à padaria, ao mercado. Obviamente sob a
condição de que não façam disso um evento social. Já os cuidados da pessoa em
isolamento são diferentes, pela suspeita de doença”, disse a infectologista
à Agência Brasil.
Cuidados durante
isolamento
A médica diz que o
ideal é que a pessoa fique sozinha em um cômodo, de preferência em um quarto
com banheiro. Ela fica dentro desse ambiente, a princípio sem máscara, mas
tendo de higienizar com álcool todos os objetos de que fizer uso frequente.
Caso o banheiro
seja de uso comum, é importante que a pessoa sob isolamento seja a última a
usá-lo e que, sempre após o uso, higienize-o com álcool 70% ou hipoclorito em
todos os locais tocados. “E todas vezes que sair do quarto e tiver contato com
outras pessoas na casa, tem de usar máscara para evitar a
transmissão.Os objetos que serão descartados – caso dos lenços, por
exemplo – devem ser fechados em sacos para depois serem juntados ao lixo da
família e, enfim, recolhidos pelos serviços de limpeza.
Heloísa acrescenta
que o doente não pode dividir talher, copo ou prato com outras pessoas. “É
importante que a pessoa troque a própria roupa de cama, que tem de ser colocada
em saco plástico para levar e ser lavada em separado”, explica Heloísa.
Membro da Sociedade
Brasileira de Infectologista, José David Urbaez Brito diz ser também
indicado que a limpeza do quarto seja feita pelo próprio paciente isolado. Já a
higiene das mãos deve ser feita com água e sabão, por pelo menos 1 minuto; ou
com álcool gel 70%, por 20 ou 30 segundos.
“Quanto
à alimentação, o fornecimento tem de ser feito de forma a não
possibilitar o contato com o paciente. Se não tiver outro jeito,
quem for cuidar do paciente tem de usar máscara cirúrgica, se manter
a 2 metros do paciente, e usar avental impermeável”, disse o médico.
Famílias grandes em
casas pequenas
A maior
preocupação, segundo os dois especialistas, é com os idosos. Principalmente
quando a família mora em casas ou apartamentos de pequenos cômodos. “É comum
famílias morando em um ou dois cômodos, e em um ambiente muito pequeno não tem
jeito: as pessoas vão acabar sendo expostas ao vírus. A começar pelo fato de
ser importante que se tenha um colchão específico para a pessoa com a
covid-19”, explica Heloísa Ravagnani.
A presidente da
Sociedade de Infectologia do Distrito Federal diz que nessas situações os
cuidados devem ser ainda maiores. “Como vive muito próxima a outros, a
pessoa ter de usar a máscara todo o tempo. O problema é que a máscara
deve ser trocada depois de ficar úmida ou a cada duas horas.”
Idosos
Brito alerta que,
no caso dos idosos, é de extrema importância o isolamento total. “Não
pode ter contato com ninguém, e essa é a grande angústia quando se
tem, entre os familiares que vivem na mesma casa, uma pessoa contaminada.”
Ele aponta como
solução as autoridades adotarem medidas que viabilizem outros locais onde o
idoso possa permanecer enquanto algum dos entes com quem mora estiver em
situação de isolamento.
Uma das
possibilidades sugeridas por ele é aproveitar a baixa movimentação de hotéis e
albergues para disponibilizá-los a idosos que moram com pessoas infectadas ou
com suspeita de contaminação.
Edição: Nádia Franco / Liliane Farias
sexta-feira, 6 de março de 2020
Japão e Coreia do Sul
Japão impõe mais
restrições a visitantes para conter novo coronavírus
País vai
estabelecer quarentena para chineses e sul-coreanos
Publicado em
06/03/2020 - 06:14 Por NHK* - Tóquio
O governo japonês está ampliando as medidas para conter a propagação do
novo coronavírus. Até a próxima segunda-feira (9), o país vai iniciar a
imposição de quarentena para visitantes procedentes da China e Coreia do Sul.
"Vamos solicitar às pessoas provenientes desses dois países, que
entrem no Japão, a permanecer duas semanas em locais especialmente designados
pelo chefe de quarentena, além de não usarem sistemas de transporte
público".
As medidas vão vigorar até o dia 31 de março e serão aplicadas a todas
as pessoas que ingressarem no país procedentes desses dois países, incluindo as
de nacionalidade japonesa.
O governo também vai suspender alguns vistos emitidos para chineses e
coreanos.
Será ampliada sua lista de proibição de viagens, incluindo partes do Irã
e novas áreas da Coreia do Sul, a partir de 7 de março.
Legisladores deverão aprovar um projeto de lei, até mesmo na próxima
semana, que permitirá que o premiê declare estado de emergência em resposta ao
surgimento do novo coronavírus.
A legislação permitirá que governos locais controlem horas de atividade
de alguns setores de negócios, fechem escolas e instruam pessoas a permanecer
em casa. As autoridades também poderão usar edifícios e terrenos, mesmo sem o
consentimento dos proprietários, para fins médicos.
Coreia do Sul lamenta medidas
O Ministério do Exterior da Coreia do Sul lamentou a decisão do Japão,
de impor quarentena por duas semanas aos visitantes procedentes do país.
Em nota divulgada nesta sexta-feira, o ministério disse lamentar o que
descreveu como uma medida irracional e excessiva. Acrescentou que consultas
realizadas entre os dois países têm sido insuficientes.
A declaração cita, também, que a prioridade máxima do governo é a
manutenção da saúde e segurança dos seus cidadãos, e que Seul poderá tomar
ações em resposta às medidas do Japão.
Atualmente, o governo está mantendo um alerta de nível mais baixo para
viagens ao Japão, mas o ministério sul-coreano indicou que poderá elevar esse
nível.
*Emissora pública de televisão do
Japão
Edição: -
quarta-feira, 6 de novembro de 2019
Um pais terrivelmente desigual
Acesso a
nível superior no Brasil é abaixo dos padrões internacionais
Publicado
em 06/11/2019 - 10:04
Por Akemi
Nitahara – Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro
Apesar de o acesso à educação
infantil ter aumentado nos últimos anos, com a frequência escolar na faixa
etária de até 3 anos subindo de 30,4%, em 2016, para 34,2% em 2018 e na
idade de 4 e 5 anos ter passado de 90,2% para 92,4%, o acesso ao ensino
superior continua muito restrito, estabilizado em 32,7% dos jovens de 18 a 24
anos estudando.
Os dados estão na pesquisa Síntese
de Indicadores Sociais (SIS) 2019, lançada hoje (6) pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), que analisa as condições de vida da
população brasileira.
Segundo a pesquisadora do IBGE
Betina Fresneda, que integra a coordenação de Educação da SIS, a entrada dos
jovens no ensino superior não está compatível com os padrões internacionais.
Ela explica que as metas do Plano Nacional de Educação estabelecem para 2024 a
proporção de 33% dos jovens cursando a faculdade na idade correta, enquanto em
2018 a taxa foi de 23,1%.
“A gente tem um residual da
população jovem com ensino superior relativamente baixo, a gente tem que
aumentar muito ainda a entrada dos jovens no ensino superior, não temos um
padrão compatível com o padrão internacional, apesar de já ter garantido o
acesso universal na educação básica”, argumentou.
Na faixa de 6 a 10 anos e de 11 a
14 anos, o acesso está praticamente universalizado, com 99,6% e 99,1% das
crianças na escola. Já no ensino médio, com idade de 15 a 17 anos, a frequência
cai para 88,2%, um leve aumento na comparação com 2016, quando 87,2% dos jovens
nessa idade estavam estudando. De acordo com Betina, há 1,2 milhão de jovens de
15 a 17 anos fora da escola.
“O Brasil universalizou o acesso
ao ensino fundamental só na década de 1990, vários países da América Latina já
tinham passado por esse processo de expansão do sistema de ensino antes. Isso
se reflete num atraso para você superar mais rapidamente essas defasagens de
nível de instrução”, disse.
Nos indicadores sobre acesso à
educação, a pesquisa mostra que 27,6% tinham alguma restrição em 2018. São
consideradas aqui crianças e adolescentes de 6 a 14 anos que não frequentam
escola, pessoas com mais de 15 anos analfabetas e maiores de 16 anos sem o
ensino fundamental completo.
Analfabetismo
A pesquisa indica que o nível de
instrução da população brasileira está melhorando, mas ainda está longe de
patamares internacionais. Enquanto a média dos países da Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de pessoas de 25 a 64 anos que
não concluíram o ensino médio é de 21,8%, no Brasil o índice é mais do que o
dobro: 49%.
Para o ensino superior completo
no grupo entre 25 e 34 anos, a média da OCDE é de 36% e no Brasil é de 19,7%.
O índice de analfabetismo no país
está em 7,2%, uma queda na comparação com 2015, quando a taxa ficou em 8%.
Naquele ano, o Brasil ocupava a quinta posição com a maior proporção de
analfabetos na América Latina, à frente apenas de Guatemala, Honduras, El
Salvador e República Dominicana.
O país da região com o menor
índice de analfabetismo é Cuba, com 0,2%, seguido de Argentina, com 0,8% e
Uruguai, que tem 1,5% da população analfabeta.
Divulgação/IBGE
Quanto ao salário inicial pago
aos docentes, o Brasil está atrás de todos os países da OCDE, com um total
anual de US$ 13.971 na educação básica. A média da OCDE é US$ 34.534, chegando
perto de US$ 80 mil em Luxemburgo e acima de US$ 60 mil na Alemanha e na Suíça.
O Plano Nacional de Educação
estabelece que até 2020 os docentes da educação básica da rede pública devem
ter seus salários equiparados aos demais profissionais com formação
equivalente. Porém, de acordo com o IBGE, a proporção era de 74,8% em 2017.
A pesquisa indica que, em 2018,
95,7% dos municípios brasileiros tinham aprovado um plano de carreira para os
professores, mas 25,8% não tinham definido o piso salarial. E em 69,5% dos
municípios a indicação dos diretores de escola seguia somente indicação
política.
Desigualdade racial
A desigualdade racial do Brasil
também se reflete no acesso à educação, principalmente ao ensino superior.
Entre os jovens brancos de 18 a 24 anos, 55,7% não frequentam escola e não tem
a etapa concluída, 8,2% frequentam a escola fora da etapa adequada e 36,1%
estão na etapa adequada para a idade. Já entre os pretos e pardos, as
proporções são de 68,9% fora da escola, 12,8% fora da etapa adequada e 18,3% na
etapa adequada para a idade.
Quando se verifica a taxa de
desocupação por cor ou raça, o IBGE comprova a desigualdade racial em todos os
níveis de instrução, apesar dessa diferença diminuir com o aumento da
escolaridade.
Na média, a desocupação entre as
pessoas brancas fica em torno de 9,5% e entre as negras é de 14,1%. Na faixa
sem instrução ou ensino fundamental incompleto, a taxa fica em 8,4% para os
brancos e 12,7% para os negros, enquanto 5,5% das pessoas brancas com ensino
superior estão sem trabalho e 7,1% das negras na mesma condição de ensino.
Na faixa com ensino fundamental
completo ou ensino médio incompleto a proporção de desocupação é de 13,7% entre
brancos e de 18,4% entre pretos e pardos e para quem tem ensino médio completo
ou ensino superior incompleto a taxa é de 11,3% entre brancos e 15,4% entre
negros.
Saiba mais
- Número de jovens que não estudam nem trabalham aumentou em 2018
- Extrema pobreza e desigualdade crescem há 4 anos, revela pesquisa
Edição: Kleber
Sampaio
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