sexta-feira, 7 de abril de 2017

Guinada conservadora



Senado dos EUA confirma candidato de Trump como novo juiz da Suprema Corte
  • 07/04/2017 19h02
  • Washington





Da Agência EFE
O Senado dos Estados Unidos confirmou nesta sexta-feira (7) Neil Gorsuch, o juiz indicado pelo presidente norte-americano Donald Trump, como novo magistrado da Suprema Corte para a vaga de Antonin Scalia, que morreu em fevereiro do ano passado. As informações são da Agência EFE.

Com 54 votos a favor e 45 contra, o Senado confirmou Gorsuch por maioria simples depois de mudar na quinta-feira as normas da Câmara Alta, que exigiam uma maioria de 60 votos para este tipo de procedimento.

A confirmação fecha uma semana de intenso debate no Senado, onde a oposição democrata levou ao limite suas manobras de "filibuster" (fazer longos discursos) para adiar a chegada do juiz à Suprema Corte.

Na quinta-feira, em uma primeira votação, os democratas chegaram a bloquear a confirmação do juiz, já que, embora maioritários, os senadores favoráveis não obtiveram os 60 votos, tal como requeria o regulamento.

Os republicanos então submeteram à votação uma mudança nas normas da Câmara Alta, em uma manobra conhecida como "opção nuclear", para revogar a regra dos 60 votos necessários e derrubar a estratégia democrata.

A oposição democrata a Gorsuch era uma resposta à rejeição dos republicanos de submeter à votação o juiz progressista indicado pelo ex-presidente Barack Obama em março de 2016, quando foi aberta a vaga de Scalia.

O líder republicano no Senado, Mitch McConnell, bloqueou durante o período recorde de 293 dias a candidatura de Merrick Garland, o escolhido de Obama, e agora conseguiu confirmar Gorsuch com a manobra.

A confirmação de Gorsuch também é uma importante vitória para Trump, que até agora tinha visto fracassar algumas de suas primeiras medidas, como o veto migratório e a derrubada do "Obamacare", a reforma de saúde de Obama.

Edição: Amanda Cieglinski

segunda-feira, 13 de março de 2017

Policia que mente



Em depoimento, policiais admitem que mentiram e forjaram confronto com vítima
  • 13/03/2017 19h42
  • São Paulo




Elaine Patricia Cruz - Repórter da Agência Brasil
Durante júri popular, dois dos três policiais acusados pela morte de Paulo Henrique Porto de Oliveira, morto no dia 7 de setembro de 2015, na região do Butantã, na zona oeste da capital paulista, admitiram hoje (13) ter mentido em depoimentos anteriores e que "plantaram" uma arma perto da vítima para forjar um confronto.

O policial Tyson Oliveira Bastiane, de 28 anos, começou a ser ouvido por volta das 17h, logo após o depoimento de três testemunhas de defesa, uma delas ouvida de forma privada. Durante seu testemunho, Bastiane admitiu ter efetuado dois disparos contra a vítima, que estava rendida e desarmada. Segundo Bastiane, ele atirou contra a vítima porque ela teria tentado pegar sua arma.

Bastiane também admitiu ter mentido nos depoimentos anteriores dados a investigadores do caso, quando disse que houve confronto e que Paulo teria atirado contra eles. Indagado porque mentiu sobre isso, Bastiane disse que o fez “por desespero” e por desconhecimento jurídico.

Já Silvano Clayton dos Reis, que patrulhava com Bastiane no dia do crime, admitiu no depoimento que forjou o confronto, retirando uma arma da viatura policial em que estava e colocando-a perto do corpo de Paulo.

Silvio André Conceição, último policial a ser ouvido, foi o primeiro a chegar ao local do crime. Nas imagens de câmeras de segurança, ele aparece algemando Paulo e, mais tarde, quando os policiais Bastiane e Reis chegam ao local em uma viatura, ele aparece retirando as algemas de Paulo. Após ter as algemas retiradas, Paulo é morto por Bastiane.

Versões
Nas primeiras versões dadas a investigadores do caso, Bastiane e Reis disseram que atiraram em confronto, após Paulo ter disparado contra eles. No entanto, imagens de câmera de segurança mostraram que Paulo se entregou e que estava desarmado no momento em que foi baleado por Bastiane. As imagens mostram ainda que Paulo, antes da chegada de Reis e Bastiane ao local do crime, chegou a ser algemado pelo policial Silvio André Conceição. Mas quando Reis e Bastiane chegaram, ele foi desarmado e então levado para um muro, onde foi baleado e morto.

As imagens não mostram o momento em que Paulo foi baleado. Os réus dizem que, nesse momento, Paulo tentou tirar a arma de Bastiane, que atirou nele, em desespero.

O crime
Paulo estava com Fernando Henrique da Silva, de 23 anos, e foram mortos após roubar uma moto e tentar fugir dos policiais. Imagens feitas pelo celular de uma testemunha mostraram um policial jogando Fernando de um telhado. Já uma câmera de segurança mostrou Paulo se entregando, desarmado e sendo colocado contra um muro, fora do alcance da câmera, momento em que foi morto. O vídeo mostra ainda um dos policias pegando uma arma na viatura para forjar um confronto e justificar a morte do suspeito.
Hoje estão sendo julgados apenas os policiais responsáveis pela morte de Paulo. O julgamento do assassinato de Fernando foi marcado para o dia 27 deste mês.

Os três policiais que respondem pela morte de Paulo são acusados de homicídio doloso qualificado (com intenção de matar e por meio cruel, sem possibilidade de defesa da vítima), fraude processual, falsidade ideológica e porte ilegal de arma.

Testemunhas
Uma testemunha de acusação e três de defesa foram ouvidas na tarde desta segunda-feira. A testemunha de acusação, Marco Aurélio Barberato Genghini, responsável pela investigação do caso na Corregedoria da Polícia, disse que os réus mentiram em depoimento e que mataram a vítima já rendida e desarmada.

Uma das testemunhas de defesa disse que foi salva por Reis durante um sequestro relâmpago em 2015. O testemunho dela fez Reis chorar muito e também arrancou lágrimas de várias pessoas da plateia. No entanto, não comoveu os jurados.

Duas mulheres e cinco homens compõem o júri popular que vai decidir se absolve, ou condena, os três policiais. A decisão dos jurados só será conhecida após o depoimento das testemunhas de acusação e de defesa, o interrogatório dos três réus e os debates do promotor responsável pela acusação e dos advogados de defesa. Como hoje foram ouvidas as testemunhas e os réus, a previsão é que fiquem para amanhã os debates e, possivelmente, a decisão dos jurados.

Edição: Fábio Massalli


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

No Brasil



Bloco mais tradicional de São Paulo comemora 70 anos nas ruas do Bixiga
  • 27/02/2017 14h04
  • São Paulo
Elaine Patrícia Cruz - Repórter da Agência Brasil



 O Bloco Esfarrapados, um dos mais tradicionais de São Paulo, se concentra entre as ruas Conselheiro Carrão e 13 de Maio, no Bixiga Rovena Rosa/Agência Brasil

O bloco mais antigo da cidade de São Paulo comemora 70 anos hoje (27). E para celebrar a data, o grupo Esfarrapados saiu mais uma vez às ruas do Bixiga, bairro com grande concentração de imigrantes italianos no centro da cidade. Com suas marchinhas e debaixo de muito sol, o bloco reuniu muitas crianças e também os moradores mais antigos do bairro, que ajudaram a criar os Esfarrapados.

O grupo surgiu no carnaval de 1947 e foi fundado pelos amigos Armandinho Puglisi, Walter Taverna, Tinin, Capuno e Carabina. Um cartaz espalhado pelas ruas do bairro conta um pouco da história do bloco: “Cada um providenciou uma roupa e, com um punhado de latas vazias e panelas, saiu batucando pelas ruas do bairro”.

“O bloco foi fundado assim: para você trazer a sua fantasia, seja ela qual for, e vir curtir. Essa magia foi sendo espalhada”, contou o puxador do bloco Gleison Pego, o Mineiro. “É trazer a sua fantasia e levar para o bloco a sua alegria”, lembrou.

Para celebrar a data, a diretoria conseguiu levar para a rua um antigo bonde que passava pelo local - e que hoje foi bastante fotografado pelos foliões. O bonde vai circular pelo bairro junto com o bloco. “O bonde é uma referência à forma de transporte que São Paulo teve até os anos 60, e o bairro da Bela Vista [como também é chamado o Bixiga] tinha o bonde da Bela Vista que circulava pelas ruas.  Procuramos e encontramos uma réplica autêntica nas cores e no formato do bonde para trazer de lembrança não só para quem já tinha visto e usado, mas para o pessoal novo, para ver como era o Bixiga naquele tempo”, disse Maurizio Bianchi, presidente do bloco.

Saiba Mais
Tinin, 81 anos, um dos fundadores do grupo, mas que prefere dizer que é apenas um acompanhante do bloco há 70 anos, emocionou-se com a festa deste ano. “Fiquei olhando e tinha mais de 100 crianças brincando. Chamei os pais e as mães e falei: 'vocês sabem quem são essas crianças para nós? São o futuro bloco dos Esfarrapados'. Elas é que vão dar a continuidade à nossa tradição”, disse ele. Tinin também se emocionou ao ver o bonde estacionado na rua Conselheiro Carrão, ao lado do bloco, e lembrou os tempos em que entrava no vagão para namorar. "A gente ia no fundo do vaguão e, quando apagava as luzes, a gente dava uns beijinhos", contou.

70 anos de carnaval
Segundo Bianchi, nesses 70 anos, o bloco nunca deixou de sair às ruas. “Com todas as dificuldades e situações – e o bloco passou por períodos bem difíceis – ele conseguiu se manter, se restabelecer e estamos fazendo ele caminhar”.

O jornalista Luiz Espanha, 58 anos, é presença constante nos Esfarrapados. “Saio nesse bloco desde o começo dos anos 80. É um dos melhores de São Paulo e do país. Aliás, o carnaval de São Paulo chegou e arrebentou e ninguém segura mais”, afirmou. “Ele [o bloco] toca música de carnaval, tem um clima muito bom, é seguro e alegre. E carnaval é alegria”, disse o jornalista, que esteve também em outros blocos pela capital e reclamou da falta de organização em alguns deles. “Estão colocando grandes blocos em ruas bem estreitas. Quando você espreme o povo na alegria e na cultura, você provoca violência. Faltou organização. Grandes blocos precisam de mais espaço”.

Moradora do bairro, a dona de casa Rosa Santos, 41 anos, trouxe a filha Elen, de 7 anos, para curtir o bloco. “Ela gosta de carnaval e desses bloquinhos”. Rosa disse ainda que levou a filha também para curtir outras blocos pela região. “Para quem gosta, é muito legal. E ela gosta bastante, pula muito”.

Carnaval de rua
O penúltimo dia de carnaval na capital paulista terá a apresentação de 31 blocos. A cantora Elza Soares e a banda Bixiga 70 encerram a programação desta segunda-feira no Largo da Batata, na zona oeste.
Edição: Graça Adjuto