Mostrar mensagens com a etiqueta racismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta racismo. Mostrar todas as mensagens

sábado, 14 de novembro de 2015

É muito sofrimento

'Se for negro, não entra': Polícia italiana impede refugiados de embarcar em trem para Alemanha
Janaina Cesar | enviada especial a Bolzano (Itália) - 26/07/2015 - 08h00
Vídeo: Em estação de Bolzano, na fronteira com a Áustria, autoridades exigem documentação apenas de imigrantes africanos; brancos não são parados








Em Bolzano, cidade na Itália que fica na fronteira austríaca, refugiados negros são impedidos de embarcar nos trens que partem em direção a Innsbruck, na Áustria, e Munique, na Alemanha. A polícia bloqueia as portas dos vagões: se o passageiro for branco, a passagem é permitida, se for negro, pedem pelo passaporte. Como nenhum refugiado possui a documentação, são impedidos de entrar. As polícias italiana, austríaca e alemã trabalham em estreita colaboração. A força trilateral, como é conhecida, nasceu em 2002 com o objetivo de previnir assaltos em viagens internacionais, mas hoje impede que refugiados deixem a Itália.

Janaina Cesar/Opera Mundi


Policial italiano: 'Se for negro, não entra . E se já está dentro deve ser controlado porque é quase certo que não tem documento'

Todos os dias, por volta das 9h da manhã, cerca de cem refugiados chegam à estação de Bolzano, ponto de acesso para ir à Alemanha e aos países nórdicos. No dia 29 de junho, uma segunda-feira, 80 desceram do trem noturno de Roma. A maioria vem de Eritreia, Sudão e Síria. Escapam da guerra, da fome e da miséria. Para conseguir chegar até a Itália, enfrentaram a morte de perto, atravessando o mar Mediterrâneo, que todos os anos faz centenas de vítimas.

Aisha, uma jovem mãe eritreia que viaja com a filha de 2 anos, conta que escapou de seu país por causa da perseguição religiosa. Ela quer ir para Munique, diz ter amigos lá. “Não quero ficar na Itália. Tenho amigos na Alemanha que estão me esperando e vão me ajudar quando eu chegar", conta.

Para quem está há cinco meses viajando, os 280 quilômetros que separam Bolzano de Munique representam pouco — mas são intermináveis. Durante os dez minutos em que o trem permanece parado para o embarque dos passageiros, Aisha e os outros observam os “brancos” entrarem sem problemas e se entreolham tentando entender o que está acontecendo. Mesmo mostrando a passagem de 69 euros de Bolzano a Munique, os policiais não os deixam entrar. Até aquele momento ninguém lhes explicou nada. Os policiais, aqueles que se dão ao trabalho de responder, gastam somente uma palavra: "passaporte". Sem mais.

Pele negra
Segundo declarou um policial italiano que pediu para ficar no anonimato, a cor da pele identifica quem são os refugiados sem documentos. “Se for negro, não entra . E se já está dentro [do vagão] deve ser controlado porque é quase certo que não tem documento”, diz o oficial, relatando qual foi a ordem recebida de seus superiores. “Sei que não é correto, mas é o modo mais fácil de identificá-los. Sabemos que nenhum deles possui visto ou passaporte e por isso não os deixamos entrar no trem internacional.”

O policial italiano diz ainda que nos trens regionais que partem do sul em direção à fronteira austríaca, o controle não é realizado. “Se o sistema de controle funcionasse, eles [os refugiados] nem partiriam do sul [onde ficam os centros de acolhimento]. Nós da polícia de Bolzano temos que enfrentar esse problema sozinhos”, afirma.


 Ainda que seja vedado esse tipo de auxílio pela legislação italiana — segundo a Lei nº 189, de 2002, ajudar um cidadão a entrar ou sair ilegalmente do país constitui crime de favorecimento à 'imigração clandestina' — alguns cidadãos sensíveis a situação dos refugiados, informam e até desenham atrás de passagens não usadas, o percurso que devem fazer para chegar até Munique. Praticamente, devem ir até Brennero, outra cidade italiana de fronteira, pegar o trem regional austríaco até Innsbruck e, chegando lá, pegar o regional alemão para Munique. Tudo isso torcendo para que a polícia local não os peguem e mandem de volta à Itália.

Somente em 2014, a Áustria devolveu cerca de 5.000 refugiados aos italianos. Isso, pois o Tratado de Dublin obriga que o pedido de asilo seja feito no primeiro país onde a pessoa é identificada. No entanto, das 6.000 identificações realizadas ano passado pelo polícia de Bolzano, ninguém retornou para formalizar o pedido de asilo.

Voluntários
Segundo Manoel, um dos voluntários que ajuda no acolhimento dos refugiados na estação de Bolzano, “alguns deles chegam aqui pensando que já estão na Alemanha, não sabem que precisam de documento e visto para entrar naquele país”. É fácil se enganar, porque em Bolzano tudo é bilíngue (italiano-alemão), da placa na estação aos anúncios nos alto falantes. “Explicamos que sem documento não podem pegar o trem internacional e os orientamos a irem com um trem regional à Brennero, uma cidade que fica na fronteira com a Áustria”, diz.


“Na medida do possível, nós os orientamos, mas às vezes a comunicação é muito difícil”, diz Luca de Marchi, também voluntário. “Quando chegam aqui, nós os levamos a uma sala que colocaram [na estação de Bolzano] à nossa disposição, fornecemos sacolinhas com alimentos, além de roupas e sapatos e assistência humanitária. Queremos que essas pessoas, nas poucas horas em que estão aqui, se sintam um pouquinho em casa. Já enfrentaram uma viagem alucinante e queremos oferecer um pouco de tranquilidade e serenidade.”

De Marchi confirma que o problema da discriminação existe, mas, segundo ele, é uma coisa pessoal. “Não se pode generalizar e dizer que a polícia é racista, nós temos um ótimo relacionamento com a força de ordem. Não acho que a questão principal seja a cor da pele. O problema realmente é a falta de documentos”, diz. Para ele, a melhor forma para contrastar a questão dos refugiados, “é trabalhar em silêncio, sem criar atritos”.


Rumo à Áustria
Aisha e um grupo de 60 refugiados decidiram escutar os conselhos de quem se arriscou com a lei italiana e resolveram embarcar para Brennero. Os outros preferiram ficar em Bolzano, para tentar embarcar no próximo trem internacional direto à Innsbruck e Munique — e tentar a sorte de topar com um policial que faça de conta que não os viu embarcar. Segundo Marco, isso já aconteceu, mas é coisa rara.

Uma hora e meia de viagem até Brennero com o trem regional italiano. Mais 13,50 euros de passagem. A bordo reina o silêncio. Alguns aproveitam para dormir, enquanto, no fundo do vagão, uma mãe amamenta seu filho. O trem para. Ponto de chegada. Da estação de Brennero se vê a fronteira com a Áustria. A estação é vazia. Nada de polícia italiana, alemã ou austríaca. Quando os policiais estão nas imediações, alguns atravessam a fronteira a pé, pelas trilhas paralelas à estrada principal. Mas desta vez não.


Essa brecha lhes dá tempo para pedir informação a um jovem que chegou na estação. O trem regional austríaco está ali parado e eles não podem perder a ocasião. O jovem, na maior paciência, os ajuda a comprar as passagens, uma a uma. Às 15h, parte o trem e em meia hora chegam Innsbruck. Aisha está feliz e deixa escapar um sorriso.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O Racismo escancarado do Brasil vai a televisão



Negros não estão representados na dramaturgia, diz diretor

Publicado há 2 dias - em 10 de outubro de 2015 » Atualizado às 12:09
Categoria » Questão Racial - Portal Geledes













 
Cineasta, diretor e roteirista gaúcho, Jorge Furtado, é autor da série “Mister Brau”, da TV Globo, estrelada por Lázaro Ramos e Taís Araújo, primeira série nacional protagonizada por personagens negros e ricos;



“O Brasil tem 52% da população negra ou parda e essa porcentagem não está representada de maneira alguma na dramaturgia, nem na TV nem no cinema. Os EUA, com 13% de população negra, têm mais negros protagonizando filmes e séries”, diz; para Furtado, o Brasil é uma país racista.

Cineasta, diretor e roteirista gaúcho, Jorge Furtado, é autor da série “Mister Brau”, da TV Globo, com Lázaro Ramos e Taís Araújo nos papéis principais. É a primeira série nacional protagonizada por personagens negros e ricos.

“O Brasil tem 52% da população negra ou parda e essa porcentagem não está representada de maneira alguma na dramaturgia, nem na TV nem no cinema. Os EUA, com 13% de população negra, têm mais negros protagonizando filmes e séries”, diz ele.

Questionado pela Folha de a intenção em ‘Mister Brau’ é abordar o racismo, o autor explica que este não é o mote, mas é uma questão que está presente de forma velada. “Nós somos um país racista, tivemos uma abolição tardia.

Essa divisão do país é importante, temos que falar disso para superar. Esse assunto está presente. A vilã (Fernanda de Freitas) não quer conviver com aquelas pessoas, quer se mudar. Ela não diz isso, mas tá ali velado. Ela quer chamar a polícia quando vê os novos vizinhos na piscina. Tá ali também o desconforto com uma ascensão social, uma classe que chega para dividir os espaços”, afirma.

domingo, 19 de julho de 2015

Cultura negra e a realidade brasileira.

Os docentes não contribuem para o conhecimento da cultura africana








Republicamos este texto para Angola porque é um vislumbre do que acontece no Brasil. Não há um posicionamento real sobre como entendemos ou vemos a África. Mesmo entre as elites engras ainda não  há consenso. Vivemos num estado racista e segregador que insiste em não  reconhecer suas origens. É um trabalho espetacular, mantive os comentários porque complementam as ideias descritas.





Resumo 
O desconhecimento sobre África vem também pelo desinteresse dos docentes, que atingem fatores extremos e recuso a sua própria identidade, um dos motivos do desinteresse em abordar assuntos reais sobre a história da África é o preconceito e a religião de cada docente e a gestão escolar, gestão essa em que na maioria dos casos, não encaram o estudo da história de seus descendentes como disciplina obrigatória, mesmo ela estando sendo reconhecida pela Lei 10.639/03, prejudicando assim o conhecimento e a construção de uma cultura colonizada.
por Fabiano Correia de Araujo via Guest Post para o Portal Geledés
RESUME 
Lack of knowledge about Africa is also the disinterest of the teachers who reach extreme factors and refuse its own identity, one of the reasons for disinterest in addressing real issues on the history of Africa is the prejudice and religion of each teacher and school management, management such that in most cases, do not view the study of the history of his descendants as a compulsory subject, even though she was being recognized by Law 10.639 / 03, thus hampering the knowledge and the construction of a colonized culture.

Introdução 
Relatar sobre o tema história da África em sala de aula, encaramos algumas dificuldades, mas abordava o tema quando ministrava aulas. Preparar conteúdos sobre continente africano e compartilhar com os educandos em sala de aula é prazeroso, mesmo com as barreiras existentes.

Apesar da 2 obrigatoriedade do ensino de história da África na sala de aula ainda existem resistências por alguns educandos e do próprio corpo docente devido principalmente à religião de cada um, causando intransigência, quando deparados com a cultura africana, causando polêmicas em sala de aula e o não apoio da equipe gestora escolar. Mesmo com a recusa, ainda sim conseguimos por insistência chegar a um lugar magnifico de riqueza em conhecimento e cultura para que as barreiras culturais sejam quebradas com o esclarecimento do tema história da África.

Hoje, certamente as pessoas que admiram algo sobre o continente africano somente quando compartilham informações sobre o tema através dos noticiário fazendo julgamentos euro centristas, quaisquer publicação, seja em jornais revistas e ou rede sociais, são motivos para se colocar contra as ideias de tolerância ao racismo. 

Todo o estudante de qualquer licenciatura possui em sua na grade curricular a disciplina História Geral da África, mas depois de formados não aplicam a disciplina no seu cotidiano como educador, renegando sua descendência. Os docentes não contribuem para o conhecimento da cultura africana

Minhas palavras 
Por muito tempo ministrando aulas em escolas estaduais da periferia de São Paulo com instrumentos de trabalho precários, utilizando como único recurso lousa e giz, iniciava as aulas escrevendo a palavra África em letras garrafais, independentemente da desordem da sala os educandos paravam e me encaravam, devido a estranheza da palavra disseminavam a seguinte pergunta: África, o quem tem?
Ao perguntar aos educandos, qual o conhecimento ou o que entendiam sobre a cultura africana, obtive como resposta os absurdos que lhe foram informados somente pela mídia, sem fundamentos e ou verdade, os educandos tinham como conceito que a cultura africana era baseada em religião onde usaram o termo “macumba”, e pela fome que hoje assola o continente africano.
Para desconstruir essa visão 3 errônea sobre a cultura africana, eram criados debates em sala de aula, e o mais interessante, informar corretamente e simplesmente o que realmente significa, e o que é a cultura afro descendente, criando assim uma imagem perante aos alunos não somente de o professor de história e sim o professor de Cultura Africana.

Um fato interessante é que a dificuldade de se trabalhar sobre o tema África se dá principalmente por causa da religião e por falta de informação, cerca de 80% da população é de origem mulçumana, uma religião que se baseia no velho testamento bíblico, que é utilizado por mais de 2.000 religiões.

A falta de conhecimento sobre o continente não é culpa dos alunos, mas sim pelo descaso apresentado pelos docentes, é preferível abordar assuntos em que os alunos possuem um prévio conhecimento, ao invés de levar o educando a um mundo novo, conhecer o desconhecido, em relação aos seus próprios descendentes. Os docentes não contribuem para o conhecimento da cultura africana


Bibliografia 
Araujo, F. C. (12 de 12 de 2015). Especialista. (Professor, Artista) São Paulo, São Paulo, Brasil.
Fanon, F. (05 de 10 de 2009). Mascaras Negra Pele Brancas. Mascas Negras Pele Brancas. São Paulo, SP, Brasil: EUFB.
obrigatoriedade do ensino de hitória da África na sala de aula., 10.639 (Diário Oficail da União .Brasilia DF. 10 de 01 de 2003).
1 Fabiano Correia de Araujo.
2 (obrigatoriedade do ensino de hitória da África na sala de aula., 2003)
3 (Fanon, 2009)



A lei 10.639 não pode ser incluída somente no currículo de história, por que é o que esta acontecendo nas escolas, os docentes também não são culpados pela falta de reconhecimento de nossa ancestralidade, acontece que vivemos em um processo de embranquecimento do nosso país desde que a escravidão foi abolida que criou um outro processo de negação do nosso passado africano e do nosso presente africano e pra que se descolonize este modelo euro centrista que esta sociedade criou e construiu não é da noite para o dia, talvez esse processo infelizmente seja muito mais lento, mas temos que ter a esperança e a iniciativa mais preparada dos orgãos e das políticas educacionais deste país para fortalecer e reconhecer nossas raízes africanas e indígenas que são totalmente invisíveis aos olhos da sociedade causando assim tantos preconceitos, racismo, sexismo e segregação da nossa cultura e arte afro brasileira.

Muito interessante a reflexão. Entretanto, não é correto afirmar que "Todo o estudante de qualquer licenciatura possui em sua na grade curricular a disciplina História Geral da África", já que eu mesma, embora tenha concluído pedagogia em 2010, não tive esta disciplina, e nem, depois como docente me foi ofertada alguma formação sobre o tema, o que de fato, é imprescindível, já que lidamos com questões raciais diariamente nas escolas. De fato, a questão religiosa dos docentes parece influenciar para a ausência de debate, no entanto não podemos acusar o docente como o único responsável, mas sim, a gestão educacional e a sociedade como um todo, que não pauta a questão da educação para as relações étnico-raciais como uma política pública para todos os estados da confederação.

Surama você resumiu o que aconteceu em nossa cultura, infelizmente a falta de conhecimento a respeito da cultura africana é fato e temos que rever a cada dia os nossos conceitos e preconceitos. Parabéns pela sua análise rica!

é isso ai Eloísa, temos que rever nossos conceitos e preconceitos! Abraços


Adorei, parabéns.

Eu tenho um projeto anual sobre a África! Postei alguns vídeos no Youtube....tive q editar, pois não posto fotos de alunos. A escola é Profª Zilah Barreto Pacitti de Atibaia.
O que se observa é que após os três ou quatro anos que seguiram a promulgação da Lei 10.639, que foram de ofensiva militante para fazer vingar essa grande conquista do MNB (lato sensu), começou a luta soturna da branquitude para apagar essa conquista.
A branquitude é esse pacto narcísico entre brancos, que necessariamente se estrutura na negação do racismo e desresponsabilização pela sua manutenção [Cf.Lia V. Schucman, p. 25]
A defesa e a luta para a aplicação da Lei 10.639 somente pode resultar de uma ação coletiva: as Associações de pais e Profs. para a defesa da Lei e das Culturas Afro-brasileiras.


Fabiano, deduzir que VC deixou a escola pública, mas partir como justificativa, jamais atacar ao desprezível governo tucano que torno a escola pública um terreno baldio. Temos problemas sim, mas a origem deles que é o fundamental, sempre é ignorada pelos pesquisadores que do seu conforto acadêmico, não olham o seu umbigo. Afinal, o que a academia racista e alienada contribuiu para isso?