terça-feira, 2 de maio de 2017

Jovens reagindo



Dois jovens são detidos por suspeita de serem black blocs na capital paulista

  • 02/05/2017 11h20
  • São Paulo







Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil
Um manifestante foi preso e uma jovem foi apreendida no início da noite de ontem (1º) na Rua da Consolação. Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo, um rapaz de 28 anos e uma adolescente, de 17 anos, foram detidos por portarem um pedaço de madeira, uma tesoura e um canivete. Ambos foram encaminhados ao 78º Distrito Policial, no Jardim América, zona oeste paulistana.

Os dois foram acusados de desobediência. De acordo com a secretaria, eles estavam em um grupo que foi abordado sob a suspeita de serem adeptos da tática black bloc. O rapaz foi liberado na noite de ontem e a adolescente deve ser ouvida em audiência ainda hoje (2). Eles faziam parte de um grupo de cerca de 20 pessoas que deixava as manifestações do dia 1º de Maio, no centro da cidade.

Greve geral
Na manhã de hoje (2), os três militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) que permaneciam presos depois da greve geral de sexta-feira (28) foram encaminhados ao Centro de Detenção Provisória de Vila Independência, na zona leste da capital paulista. Eles estavam na carceragem do 63º Distrito Policial, na Vila Jacuí, e tiveram a prisão preventiva decretada no sábado (29).

Antes da transferência, um grupo de militantes protestou em frente à delegacia contra as prisões, consideradas arbitrárias pelo movimento. Em nota, o MTST afirma que não existem provas contra os ativistas presos além do relato dos policiais militares que fizeram as detenções.

Luciano Antônio Firmino, de 41 anos, Juraci Alves dos Santos, de 57 anos, e Ricardo Rodrigues dos Santos, de 35 anos, são acusados de tentativa de incêndio, explosão e incitação ao crime. Eles participavam de uma manifestação na Avenida José Pinheiro Borges, em Itaquera, na Zona Leste. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, ao todo, 39 pessoas foram detidas em todo o estado durante os protestos de sexta-feira.
Edição: Lílian Beraldo

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Guinada conservadora



Senado dos EUA confirma candidato de Trump como novo juiz da Suprema Corte
  • 07/04/2017 19h02
  • Washington





Da Agência EFE
O Senado dos Estados Unidos confirmou nesta sexta-feira (7) Neil Gorsuch, o juiz indicado pelo presidente norte-americano Donald Trump, como novo magistrado da Suprema Corte para a vaga de Antonin Scalia, que morreu em fevereiro do ano passado. As informações são da Agência EFE.

Com 54 votos a favor e 45 contra, o Senado confirmou Gorsuch por maioria simples depois de mudar na quinta-feira as normas da Câmara Alta, que exigiam uma maioria de 60 votos para este tipo de procedimento.

A confirmação fecha uma semana de intenso debate no Senado, onde a oposição democrata levou ao limite suas manobras de "filibuster" (fazer longos discursos) para adiar a chegada do juiz à Suprema Corte.

Na quinta-feira, em uma primeira votação, os democratas chegaram a bloquear a confirmação do juiz, já que, embora maioritários, os senadores favoráveis não obtiveram os 60 votos, tal como requeria o regulamento.

Os republicanos então submeteram à votação uma mudança nas normas da Câmara Alta, em uma manobra conhecida como "opção nuclear", para revogar a regra dos 60 votos necessários e derrubar a estratégia democrata.

A oposição democrata a Gorsuch era uma resposta à rejeição dos republicanos de submeter à votação o juiz progressista indicado pelo ex-presidente Barack Obama em março de 2016, quando foi aberta a vaga de Scalia.

O líder republicano no Senado, Mitch McConnell, bloqueou durante o período recorde de 293 dias a candidatura de Merrick Garland, o escolhido de Obama, e agora conseguiu confirmar Gorsuch com a manobra.

A confirmação de Gorsuch também é uma importante vitória para Trump, que até agora tinha visto fracassar algumas de suas primeiras medidas, como o veto migratório e a derrubada do "Obamacare", a reforma de saúde de Obama.

Edição: Amanda Cieglinski

segunda-feira, 13 de março de 2017

Policia que mente



Em depoimento, policiais admitem que mentiram e forjaram confronto com vítima
  • 13/03/2017 19h42
  • São Paulo




Elaine Patricia Cruz - Repórter da Agência Brasil
Durante júri popular, dois dos três policiais acusados pela morte de Paulo Henrique Porto de Oliveira, morto no dia 7 de setembro de 2015, na região do Butantã, na zona oeste da capital paulista, admitiram hoje (13) ter mentido em depoimentos anteriores e que "plantaram" uma arma perto da vítima para forjar um confronto.

O policial Tyson Oliveira Bastiane, de 28 anos, começou a ser ouvido por volta das 17h, logo após o depoimento de três testemunhas de defesa, uma delas ouvida de forma privada. Durante seu testemunho, Bastiane admitiu ter efetuado dois disparos contra a vítima, que estava rendida e desarmada. Segundo Bastiane, ele atirou contra a vítima porque ela teria tentado pegar sua arma.

Bastiane também admitiu ter mentido nos depoimentos anteriores dados a investigadores do caso, quando disse que houve confronto e que Paulo teria atirado contra eles. Indagado porque mentiu sobre isso, Bastiane disse que o fez “por desespero” e por desconhecimento jurídico.

Já Silvano Clayton dos Reis, que patrulhava com Bastiane no dia do crime, admitiu no depoimento que forjou o confronto, retirando uma arma da viatura policial em que estava e colocando-a perto do corpo de Paulo.

Silvio André Conceição, último policial a ser ouvido, foi o primeiro a chegar ao local do crime. Nas imagens de câmeras de segurança, ele aparece algemando Paulo e, mais tarde, quando os policiais Bastiane e Reis chegam ao local em uma viatura, ele aparece retirando as algemas de Paulo. Após ter as algemas retiradas, Paulo é morto por Bastiane.

Versões
Nas primeiras versões dadas a investigadores do caso, Bastiane e Reis disseram que atiraram em confronto, após Paulo ter disparado contra eles. No entanto, imagens de câmera de segurança mostraram que Paulo se entregou e que estava desarmado no momento em que foi baleado por Bastiane. As imagens mostram ainda que Paulo, antes da chegada de Reis e Bastiane ao local do crime, chegou a ser algemado pelo policial Silvio André Conceição. Mas quando Reis e Bastiane chegaram, ele foi desarmado e então levado para um muro, onde foi baleado e morto.

As imagens não mostram o momento em que Paulo foi baleado. Os réus dizem que, nesse momento, Paulo tentou tirar a arma de Bastiane, que atirou nele, em desespero.

O crime
Paulo estava com Fernando Henrique da Silva, de 23 anos, e foram mortos após roubar uma moto e tentar fugir dos policiais. Imagens feitas pelo celular de uma testemunha mostraram um policial jogando Fernando de um telhado. Já uma câmera de segurança mostrou Paulo se entregando, desarmado e sendo colocado contra um muro, fora do alcance da câmera, momento em que foi morto. O vídeo mostra ainda um dos policias pegando uma arma na viatura para forjar um confronto e justificar a morte do suspeito.
Hoje estão sendo julgados apenas os policiais responsáveis pela morte de Paulo. O julgamento do assassinato de Fernando foi marcado para o dia 27 deste mês.

Os três policiais que respondem pela morte de Paulo são acusados de homicídio doloso qualificado (com intenção de matar e por meio cruel, sem possibilidade de defesa da vítima), fraude processual, falsidade ideológica e porte ilegal de arma.

Testemunhas
Uma testemunha de acusação e três de defesa foram ouvidas na tarde desta segunda-feira. A testemunha de acusação, Marco Aurélio Barberato Genghini, responsável pela investigação do caso na Corregedoria da Polícia, disse que os réus mentiram em depoimento e que mataram a vítima já rendida e desarmada.

Uma das testemunhas de defesa disse que foi salva por Reis durante um sequestro relâmpago em 2015. O testemunho dela fez Reis chorar muito e também arrancou lágrimas de várias pessoas da plateia. No entanto, não comoveu os jurados.

Duas mulheres e cinco homens compõem o júri popular que vai decidir se absolve, ou condena, os três policiais. A decisão dos jurados só será conhecida após o depoimento das testemunhas de acusação e de defesa, o interrogatório dos três réus e os debates do promotor responsável pela acusação e dos advogados de defesa. Como hoje foram ouvidas as testemunhas e os réus, a previsão é que fiquem para amanhã os debates e, possivelmente, a decisão dos jurados.

Edição: Fábio Massalli