Foi assim no Brasil - Semana passada
foi o cemitério ou o necrotério de
qualquer projeção saudável para o Brasil. Tudo que não era para acontecer e que
aumentaria a volatilidade da economia, aconteceu. O fator
mais cruel para a percepção da crise foi o aumento seguido e implacável da
moeda americana.
E é realmente um dos maiores
problemas não apenas para o Brasil. O mundo inteiro sofre com a desvalorização
do yuan. E sofre ainda mais com a possível
subida da taxa de juros americana. Aumento
da taxa de juros nos Estados Unidos funciona como um sugador de recursos em todo o mundo. Devido a sua estabilidade monetária
e histórico de confiança resistente, os americanos gozam do privilegio de serem
exportadores de crises e momentos econômicos ruins e importadores das
desvantagens de parceiros e rivais.
Efeitos nocivos sobre o elevado
endividamento da Petrobras que o dólar neste valor traz, chega a aumento de até
74,8 bilhões de reais. A divida da Petrobras é em dólares ou outras moedas, o
que expõe ainda mais a estatal. Sua receita também é atrelada, ocorre que não aumenta
na mesma velocidade.
O risco é a caminhada do dólar para
os R$4,00 reais. Tudo no pais pode explodir, até sua receita de exportações, o
que não seria mau.
Disputa por dólares
Na sexta feira havia negociações
apertadas entre as varias corretoras e seus clientes. O dólar turismo chegou a
R$4,08. Houve quem desse desconto de até 1% na cotação em compras feitas pela
internet.
O que podemos aguardar dessa semana
que terá apenas 4 dias úteis não se sabe. A crise politico só agrava, mediante
abertura de novas investigações dentro do núcleo duro do governo, os ministros Aloisio Mercadante e
Edinho Silva, denunciados pelo dono da UTC Ricardo Pessoa.
Pesquisas vão além dos aspectos testemunhais da obra de Carolina Maria de Jesus e buscam definir seu estilo e seus parentescos culturais
MÁRCIO FERRARI | ED. 231 | MAIO 2015
Cinquenta e cinco anos depois de Quarto de despejo, estreia em livro da escritora Carolina Maria de Jesus, o interesse por sua obra continua se desdobrando e tomou impulso em 2014, ano de seu centenário de nascimento – presumido, porque a própria Carolina não tinha certeza sobre a data e há discrepâncias de dados entre sua certidão de nascimento e a de batismo. Definida como “favelada” no subtítulo do livro (Diário de uma favelada), Carolina hoje é revisitada sob diversos ângulos, dada a riqueza de sua produção inédita, ou quase, e de sua vida de altos e baixos.
Carolina em foto de junho de 1960 na janela de um barraco, em São Paulo: produção literária e vida de altos e baixos continuam sendo estudadas
“Escritora, lavradora, catadora de papel, compositora, sambista, poetisa, dramaturga, cantora, atriz circense, raizeira [quem usa raízes em tratamento médico]”, assim a descreve a historiadora Elena Pajaro Peres em sua tese de doutorado Exuberância e invisibilidade. Populações moventes e cultura em São Paulo, 1942 ao início dos anos 70, defendida em 2007 no Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Elena desenvolve agora no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP pesquisa de pós-doutorado sobre a diáspora africana nos manuscritos de Carolina.
A presença de Carolina (1914-1977) em círculos acadêmicos no Brasil e no exterior contrasta com o quase total desconhecimento de seu nome pelo público leitor. A sua época, entretanto, Quarto de despejo foi um fenômeno de vendas. A primeira tiragem, de 10 mil exemplares, se esgotou em três dias, outros 90 mil foram vendidos em seis meses. No exterior, ganhou tradução em 14 idiomas. A publicação do livro aconteceu depois de uma reportagem do jornalista Audálio Dantas na favela do Canindé, uma das primeiras de São Paulo. Um encontro casual com Carolina o levou a conhecer os escritos – contidos em cerca de 20 cadernos – que selecionou e editou, alterando a pontuação, mas mantendo a ortografia e a gramática originais. Carolina, que estudou apenas até o 2º ano do então chamado curso primário em sua cidade natal, Sacramento, em Minas Gerais, sempre havia confiado no potencial de publicação do que escrevia. Trechos de seus cadernos já tinham saído em reportagens de jornais, entre elas a de Audálio Dantas, publicada em 1958 na Folha da Noite. Dois anos depois sairia Quarto de despejo, já com expectativa de público.
Carolina publicaria ainda três livros em vida, com repercussão incomparavelmente menor do que a obra que a celebrizou, e deixou guardados “mais de 5 mil páginas manuscritas, totalizando 58 cadernos que contêm sete romances, mais de 60 textos com características de crônicas, fábulas, autobiografia e contos, mais de 100 poemas, quatro peças de teatro e 12 marchinhas de Carnaval”, segundo levantamento feito pela doutoranda Raffaella Fernandez, que atualmente trabalha na pesquisa Narrativas de Carolina Maria de Jesus: Processo de criação de uma poética de resíduos, no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Parte de conto publicado postumamente, em 2014, e disponível on-line
Todo esse material se encontra espalhado, e novos manuscritos podem aparecer. “Sempre que se trabalha com pessoas em movimento, tem-se que lidar com a dispersão dos documentos”, diz Elena. “Carolina entregou muitos escritos a outras pessoas, na esperança de publicá-los, e, em suas constantes mudanças, foi obrigada a deixar para trás alguns livros que colecionava com carinho.” Mesmo suas obras publicadas são difíceis de encontrar. Elena Peres pôde consultar os microfilmes de seus manuscritos na Biblioteca do Congresso em Washington, que guarda também uma cópia de todos os livros de Carolina, inclusive o romance Pedaços da fome, de 1963, e seu único disco, gravado pela RCA Victor. Os mesmos microfilmes também estão disponíveis na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, mas no catálogo da BN não constam todos os seus livros.
Foi nos livros Provérbios e Diário de Bitita – memórias de infância da escritora, publicadas inicialmente na França, em 1982, e quatro anos depois no Brasil – que a pesquisadora tem encontrado os principais vínculos entre Carolina e a cultura da diáspora africana no continente americano. “Consegue-se perceber conexões com tradições africanas que davam muita importância à palavra escrita”, diz Elena. A historiadora identifica em particular um elo com a cultura de Cabinda, hoje província de Angola, que liga a escritora à África Central. Seu avô, a quem ouvia com devoção quando criança, era ex-escravo e seus pais vinham dessa região de cultura banto, onde o exercício da formação moral e da busca do caminho reto era feito por meio de diálogos e provérbios, muitas vezes pictografados em tecidos e cerâmicas.
Parte de conto publicado postumamente, em 2014, e disponível on-line
Elena, que esteve por 12 meses em estágio de pós-doutorado no African American Studies da Boston University e que vem dialogando com africanistas e estudiosos das diásporas africanas, relaciona essa preocupação quanto à firmeza de caráter com a tradição musical afro-norte-americana do spirituals. “Como os provérbios, os spirituals comunicam o caminho a ser seguido e lamentam os seus desvios, recriando uma ética religiosa e política que foi constantemente retomada nos discursos em prol dos direitos civis, especialmente nas décadas de 1950 e 1960”, explica Elena. O avô de Carolina era cristão e comandava a reza do terço em Sacramento, o que lhe conferia autoridade moral e proeminência na comunidade.
Quando foram lançados Quarto de despejo, Casa de alvenaria (memórias de sua vida depois do sucesso do primeiro livro) ouAntologia pessoal (reunião de poemas organizada pelo historiador José Carlos Bom Meihy, publicada em 1996), costumava-se criticar a escritora por não refletir sobre sua condição de mulher e negra. No entanto, textos sobre esses assuntos encontram-se espalhados pelos inéditos e mesmo em passagens publicadas que não foram suficientemente levadas em conta na época. A doutoranda Raffaella destaca poemas e outras passagens dos escritos de Carolina que formam um conjunto ambíguo sobre essas questões – ora a autora incorpora preconceitos, ora reivindica a emancipação de negros e mulheres. Na vida, a escritora sempre se manteve tão independente quanto pôde. Preferiu ser catadora de papel a empregada doméstica e nunca quis se casar – teve três filhos de pais diferentes.
Para Elena, a noção de pertencimento à cultura negra se alimentou também do abolicionismo dos poetas românticos brasileiros e das ideias de intelectuais como Rui Barbosa e José do Patrocínio, aos quais Carolina teve acesso por influência de um oficial de Justiça mulato de Sacramento, que lia trechos de jornais para os negros da cidade que não sabiam ler. Nos exíguos dois anos em que estudou numa escola espírita, Carolina tomou gosto pela leitura, e o primeiro livro que leu inteiro, emprestado por uma vizinha, foi A escrava Isaura, do romântico Bernardo Guimarães. Dali para frente, continuou lendo tudo o que lhe caía nas mãos, entre livros achados ou recebidos em doação, o que formou um repertório de referência muito particular. “Os escritos de Carolina têm trechos poéticos de um grande refinamento e que não correspondem exatamente à literatura do período em que foram produzidos”, diz Elena.
Quando se mudou para São Paulo, em 1937, sozinha, deixando para trás família e livros, Carolina passou a escrever furiosamente. Pelos relatos que deixou, sabe-se que sua cabeça era inundada por “pensamentos poéticos”. Uma de suas anotações diz: “Sentia ideias que eu desconhecia”. Para Elena, esse despertar inesperado dá continuidade a uma espécie de missão de procura da sabedoria incutida por seu avô e impregnada de uma cultura ancestral. “Talvez ela não houvesse vindo para São Paulo se não sentisse essa necessidade”, diz a pesquisadora. “Na cidade grande, Carolina se isolou e encontrou a literatura.” Com isso, conjugou uma voz própria com a vivência que trazia do entorno. De acordo com Elena, a expressão “quarto de despejo”, numa metáfora da escritora, refere-se à favela como um lugar em que a sociedade “guarda” o que não quer mostrar na sala de visitas.
O livro de estreia da autora foi recebido como um relato testemunhal da vida na favela e, segundo Elena, no exterior continua residindo aí o interesse principal despertado pela escritora. O impacto e o incômodo imediatos causados pelo livro foi tanto que logo a prefeitura de São Paulo, na gestão do prefeito Prestes Maia (1961-65), começou uma campanha bem-sucedida de derrubada da favela do Canindé, o que resultou na remoção forçada dos moradores. Essa ação da prefeitura incentivou um grupo de estudantes a criar o Movimento Universitário do Desfavelamento (MUD), que, com a ajuda de grandes empresas, atuou na remoção de outras favelas.
A doutoranda Raffaella defende um deslocamento de abordagem que se detenha nos aspectos propriamente literários da obra de Carolina – um terreno em que mesmo o aspecto informativo dos escritos pode ser relativizado. “O universo ficcional está sempre muito presente”, diz, por sua vez, Elena Peres. “Há memória na ficção e ficção no testemunho, como também ocorre em outros autores.” A pesquisadora defende também a superação dos limites da literatura “de periferia, marginal” a que Carolina é frequentemente circunscrita. “Isso é importante, mas ficaríamos apenas com a visão do lugar e da época em que viveu após deixar sua família”, diz, ao se referir às redes transnacionais que vem traçando a partir da obra da autora.
“Como escritora, Carolina está além das determinações imediatas”, ressalta Raffaella, que organizou e promoveu a publicação do livro Onde estaes felicidade?, com dois contos inéditos da autora, em 2014 (disponível em www.letraria.net), e agora prepara a edição de um livro infantil e outro infantojuvenil. Em seu trabalho acadêmico, ela define a produção de Carolina como uma “poética de resíduos”, na qual se misturam discursos e gêneros literários e não literários, dos poemas românticos aos textos jornalísticos, das letras de sambas à radionovela e da norma culta à oralidade, à qual se incorpora um sotaque mineiro. Esse grande amálgama leva Raffaella a aproximar a atividade de catadora de papel à de escritora. “A literatura de Carolina também sobrevive de uma catação de discursos”, conclui.
Relatório da ONU condena racismo
estrutural no Brasil
Jamil
Chade
Agência Estado
Genebra - O racismo no Brasil é “estrutural e institucionalizado” e
“permeia todas as áreas da vida”. A conclusão é da Organização das Nações
Unidas (ONU), que publicou ontem seu informe sobre a situação da discriminação
racial no País. No documento, os peritos concluem que o “mito da democracia
racial” ainda existe na sociedade brasileira e que parte substancial dela ainda
“nega a existência do racismo”. A publicação do informe coincide com a volta do
debate sobre o racismo no Brasil por causa da expulsão do Grêmio da Copa do
Brasil por atos de sua torcida contra o goleiro negro do Santos, Aranha. Nesta
semana, Pelé também causou polêmica ao minimizar o problema.
os
desdobramentos na justiça brasileira desse episódio de racismo que teve
como alvo o goleiro Aranha é uma vergonha e revela o porque a justiça
local pune tanto os negros.
Mas as constatações dos peritos da ONU, que visitaram o Brasil entre os dias 4
e 14 de dezembro de 2013, são claras: os negros no País são os que mais são
assassinados, são os que têm menor escolaridade, menores salários, maior taxa
de desemprego, menor acesso à saúde, são os que morrem mais cedo e têm a menor
participação no Produto Interno Bruto (PIB). No entanto, são os que mais lotam
as prisões e os que menos ocupam postos nos governos.
Para a
entidade, um dos maiores obstáculos para lidar com o problema é que “muitos
acadêmicos nacionais e internacionais e atores ainda subscrevem ao mito da
democracia racial”. Para a ONU, isso é “frequentemente usado por políticos
conservadores para descreditar ações afirmativas”.
“O Brasil não pode mais ser chamado de uma democracia racial e alguns órgãos do
Estado são caracterizados por um racismo institucional, nos quais as
hierarquias raciais são culturalmente aceitas como normais”, destacou a ONU.
A entidade sugere que se “desconstrua a ideologia do branqueamento que continua
a afetar as mentalidades de uma porção significativa da sociedade”. Mas falta
dinheiro, segundo a ONU, para que o sistema educativo reforce aulas de história
da população afro-brasileira, um dos mecanismos mais eficientes para combater o
“mito da democracia racial”.
Para a ONU, essa situação ainda afeta a capacidade da população negra em ter
acesso à Justiça. “A negação da sociedade da existência do racismo ainda
continua sendo uma barreira à Justiça”, declarou, apontando que mesmo nos casos
que chegam aos tribunais, a condenação por atos racistas é dificultada “pelo
mito da democracia racial”.
Para chegar à conclusão, a ONU apresentou dados sobre a situação dos negros no
País. Apesar de fazer parte de mais de 50% da população, os afro-brasileiros
representam apenas 20% do PIB. O desemprego é 50% superior ao restante da
sociedade, e a renda é metade da população branca.
A expectativa de vida para os afro-brasileiros seria de apenas 66 anos, contra
mais de 72 anos para o restante da população. Mesmo no campo da cultura, a
participação desse grupo é apenas “superficial”, e as taxas de analfabetismo
são duas vezes superiores ao restante da população. A violência policial contra
os negros também chama a atenção da ONU, que apela à polícia para que deixe de
fazer seu perfil de suspeitos baseado em cor da pele. Em 2010, 76,6% dos
homicídios no país envolveram afro-brasileiros.
“Uma das grandes preocupações é a violência da polícia contra jovens
afro-brasileiros”, indicou. “A polícia é a responsável por manter a segurança
pública. Mas o racismo institucional, discriminação e uma cultura da violência
levam a práticas de um perfil racial, tortura, chantagem, extorsão e humilhação
em especial contra afro-brasileiros”, disse. “O uso da força e da
violência para o controle do crime passou a ser aceito pela sociedade como um
todo porque é perpetuada contra uma setor da sociedade cujas vidas não são
consideradas como tão valiosas”, criticou a ONU.
Os peritos apontam que avaliam esse fenômeno como “a fabricação de um inimigo
interno que justifica táticas militares para o controle de comportamentos
criminosos”.”O direito à vida sem violência não está sendo garantido pelo
Estado para os afro-brasileiros”, insistiu o informe.
Avanços
Para a ONU, houve um avanço nos últimos anos no esforço do governo para lidar
com o problema. Mas alerta que muitos dos organismos criados não contam com
financiamento suficiente e nem recursos humanos para realizar seus trabalhos.
“Muitos ainda têm baixa visibilidade em termos de presença física e posição dentro
dos governos dos Estados e dos municípios.”
A ONU também denuncia a resistência de grupos políticos diante de projetos de
leis que tentam lidar com a desigualdade racial. Os peritos declararam estar
“preocupados que o progresso feito até agora corra o risco de sofrer uma
regressão diante das ameaças de grupos de extrema-direita”.
Mesmo dentro da estrutura do Estado, os afro-brasileiros são
“sub-representados”. Eles ocupam raramente uma posição de chefia e, em
Salvador, a única secretaria municipal comandada por um negro é a da Ação
Afirmativa. O município conta com doze secretarias.
Onde
vivemos,uma região com alta
empregabilidade, poderia se fazer mais por pessoas e organizações, quando o
assunto é treinamento. Em idos de 2003, percebemos um enorme espaço para esta
atividade, constituímos empresa e fomos atrás do que acreditávamos serem os
maiores interessados, as empresas e sindicatos. Qual não foi nossa surpresa ao
sermos repelidos por ambos: os trabalhadores locais não ficavam nas empresas,
forçavam suas saídas logo apos o período de experiência, portanto não era
econômico investirem em treinamento. Insistimos por dois anos, até percebermos
que os mais interessados eram os trabalhadores. Quando os comunicamos,
recebemos500 consultas e 100
matriculas. Daí não parou mais, a certificação ISSO da VALE e empreiteiras
precisavam de pessoal qualificado e certificado. É a origem de tantas escolas e
cursinhos em Parauapebas. Mas somos PIONEIROS, bebemos na fonte do CIPMOI da
Escola de Engenharia da UFMG.
A
mentalidade da época, apenas 10 anos atrás, contrariava fortementeo que conhecíamos no sul, onde a mao de obra já era escassa. Pior, revelava
uma total cegueira frente ao crescimento da mina de ferro e dos setores
agregados. Sabíamos que, em breve, não disporíamos de mao de obra, em
quantidade suficiente para suprir a região e manter o ritmo de crescimento.
Naquele momento, apenas a Obra Kolping atuava aqui. Não havia SENAI, não havia
outras empresas de treinamento. Os exames admissionais eram novidade recente.
Quando
a VALE passou a exigir testes psicotécnicos, foi uma doideira: os peões era
estimulados, quando reprovados, a investirem contra os psicólogos, que vinham
de longe, de culturas completamente diferentes da regional. Foi uma época de
muito conflito, mas aos poucos tudo foi se acomodando e chegando a seu ponto de
equilíbrio. Então as empresas de medicina ocupacional, contrataram seus
psicólogos e uma atividade rica e independente se foi: havia em Parauapebas
vários consultórios, com diversos psicólogos trabalhando aparte do resultado do
exame médico. Gerava conflitos, as vezes o trabalhador passava no exame medico
e ficava no psicológico. Era o ideal, porque assim, as doenças psicológicas
tinham sua importância no contexto de Carajás e região. Nossa empresa tratou de
diversos problemas psicológicos, diagnosticados apartir dos testes psicotécnicos
e entrevista, que funcionava como uma
consulta. Mas o capital diz mais alto e então – VALE E EMPREITEIRAS, resolveram
que problemas e distúrbios psicológicos não contavam mais, poderiam ser
contratados pessoas com transtorno bipolar, síndrome de budeler, manias e
fobias diversas. Não representam perigo imediato e, mesmo sem tratamento
adequado, podiam subir a mina. Assim, no contexto do exame médico, a avaliação
psicológica perdeu terreno, os psicólogos foram embora e as clinicas medicas
passaram a faturar mais um exame. Acabou a função seletiva do teste
psicotécnico. Ele passou agora a acompanhar o resultado do exame médico.
Deve
ser investigado se as causas de tantos acidentes que ainda acontecem ma mina,
mesmo depois de tanto treinamento de segurança, se deve a transtornos
psicológicos e cuidar. Um bipolar, por exemplo, numa crise pode matar e
destruir patrimônio. Sem tratamento, esta pessoa esta em risco e colocando os
seus nele. Nossa opinião é que o teste psicotécnico reveja seu caráter de exame
serio e não se restrinja mais a uma mera entrevista com certeza de aprovação. E
que seja um exame independente, avaliativo e com possibilidade de medicação e
acompanhamento, e não apenas mais um exame de restrição.
Com
o advento da adoção dos REQUISITOS DE ATIVIDADES CRITICAS, o treinamento
profissional assumiu seu lugar de importância na seleção de trabalhadores profissionais.
Acontece que, a complexidade do treinamento, esbarrou na baixa escolaridade dos
trabalhadores da região. Logo se percebeu, assim como nos psicotécnicos que
algo ia muito mal na educação do trabalhadores – a educação formal, não apenas
a de segurança e profissional. Não estava mais ao alcance do predador, os
interessados teriam que correr atrás. Mas a quantidade de horas trabalhadas, as distancias percorridas diariamente, as
péssimas condições de moradia, tiram toda a energia do trabalhador, que acaba
não tendo espaço para estudos regulares, fora do tempo. Ainda não temos uma
saída para se resolver esta questão, na urgência que Carajás e seu em torno,
precisam de trabalhadores.
UM
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO ALTERNATIVO
Advogamos
a tese de aulas regulares pagas pelas empresas e sindicatos dentro do horário
da jornada de trabalho. Temos um convenio de SUPLETIVO DE PRIMEIRO E SEGUNDO
GRAUS, que resolvem este problema. O aluno tem x horas mensais para estudar,
não vai para a mina, fica em casa ou na escola estudando. Em 45 dias, faz as
provas supletivas, em 3 dias tem o resultado e em 10 dias recebe o certificado
de primeiro e segundo graus, ainda com melhor escrita e compreensão de texto e
fala. O preço é R$1.200,00 reais por aluno, pagos a vista. Um programa assim
resolveria esta questão da alfabetização e capacidade de interpretação aos
trabalhadores da mina de ferro. Ainda, temos o SUPLETIVO PROFISSIONALIZANTE, em
que o trabalhador tendo 5 anos de carteira assinada na área e segundo grau,
faz-se provas, cinco no total e recebe seu certificado da área: Técnico em Eletrotécnica, Técnico em Mecânica,
Técnico em Edificações e outros. São programas de governo que intermediamos e
que podem ser a solução para o suporte a qualificação das pessoas na região. Em
94, a própria VALE utilizou este recurso, contratando uma empresa do Rio, com
tutores que ficavam a disposição dos seus funcionários. Eu ajudei a aplicar as
provas supletivas.
Quanto
ao treinamento profissionalizante, hoje lançamos mãos de vídeos, textos, em
sala de aula, um treinando de cada vez, ou em casa, através do site e telefone.
O aluno, assim como os burgueses fazem hoje pela internet, estuda na hora que
quiser. Nos cursos que tem prática, ele tem que dedicar-se a ela. As empresas
aqui poderiam liberar estes trabalhadores para esta prática no horário
comercial, isto seria um estimulo a capacitação per si.
Quanto
as RACS, oferecemos à comunidade a criação de um banco de compensação, nos
moldes do sistema bancário, para evitar que o trabalhador se desgaste tanto em
sala de aula. Temos ferramentas e programas para gerenciar tanto os
certificados RAC como os EXAMES ADMISSIONAIS E DEMISSIONAIS. Imaginem a economia
de tempo e de recursos que o sistema obteria se lesse este blog ou nos ouvisse.
TEMOS SOLUÇÃO PARA SUA DEMANDA. SOMOS EXCLUSIVA. SOMOS ON DEMAND.
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Rio de Janeiro - A Vale previu nesta segunda-feira investimentos de 16,3 bilhões de dólares para 2013, uma queda de 24 por cento na comparação com o plano anunciado para 2012, num momento em que a mineradora vê perspectivas de uma demanda apenas "moderada" por minério e metais.
A maior produtora global de minério de ferro avalia que o mundo está no final de um "super ciclo" do setor da mineração, disse nesta segunda-feira o presidente da Vale, Murilo Ferreira, em teleconferência com analistas para comentar o plano de investimento.
A empresa havia anunciado no final do ano passado investimentos de 21,4 bilhões de dólares para 2012, montante que foi revisado nesta segunda-feira para um valor bem menor que o previsto inicialmente, somando 17,5 bilhões de dólares.
A empresa reduziu investimentos e adiou projetos em meio à queda no preço do seu principal produto e com perspectivas de um crescimento mais lento na demanda por aço na China.
"As perspectivas de uma expansão moderada da demanda global por minérios e metais no médio prazo requerem rígida disciplina na alocação de capital e maior foco em maximizar eficiência e minimizar custos", disse a mineradora em comunicado.
Do total dos investimentos, 7,65 bilhões de dólares --quase 47 por cento-- serão destinados à área de minerais ferrosos, o carro-chefe da companhia. Outros 3,78 bilhões de dólares serão investidos em metais básicos, enquanto 1,3 bilhão de dólares e 520 milhões de dólares irão, respectivamente, apoiar negócios de fertilizantes e siderurgia.
O plano anunciado para 2013 indica que a mineradora reduzirá investimentos pelo segundo ano seguido. Em 2011, a companhia investiu 18 bilhões de dólares.
"Mais do que nunca, estamos fortemente comprometidos em investir somente em ativos de classe mundial, capazes de criar valor ao longo dos ciclos e que possuam vida longa, baixo custo, possibilidades de expansão e produção de alta qualidade", afirmou o presidente da Vale em nota pela manhã.
A empresa projeta para 2013 produzir 306 milhões de toneladas de minério de ferro, uma pequena redução em relação ao volume projetado para 2012, de 312 milhões de toneladas.
SEM SURPRESA
Os analistas Alexander Hacking, do Citi, e Marcos Assumpção, do Itaú, afirmaram em e-mail a clientes que os investimentos anunciados para 2013 eram esperados.
"Este anúncio não traz nenhuma surpresa ao mercado, esperamos uma reação neutra das ações da empresa", disse o analista do Itaú.
As ações da Vale fecharam em queda de 0,05 por cento, enquanto o Ibovespa encerrou em alta de 1,2 por cento.
O Citi destaca um aumento de 10 a 20 por cento no custo de três projetos-chave da companhia, o que considera um "desapontamento".
A Vale apontou que terá custos maiores para o projeto de cobre Salobo II; Long Harbor, um projeto de níquel no Canadá, e a siderúrgica de Pecém, no Ceará.
A construção da pelotizadora Samarco IV, no Espírito Santo, foi retirada da lista de principais projetos, porque, segundo a Vale, não há investimento estimado para 2013.
"O projeto continua", informou a Vale, por meio de sua assessoria de imprensa.
A usina, com 50 por cento de participação da BHP e outra metade em mãos da Vale, tinha investimentos previstos em 1,7 bilhão de dólares e prazo para entrar em operação no primeiro semestre de 2014, segundo a listagem referente ao terceiro trimestre deste ano.
A Vale retirou também da sua lista de principais projetos aprovados uma mina subterrânea de cobre na Zâmbia, porque ela já começou a produzir.
"Nossa prioridade mudou do crescimento marginal de volume para volumes com eficiência de capital, uma mudança que impacta profundamente a forma de gerir capital", disse a companhia.
A Vale já vem enxugando a carteira de projetos nos últimos meses, e o investimento em 2012 ficará cerca de 18 por cento menor do que planejado inicialmente.
A empresa já havia recuado de projetos complicados como Simandou, de minério de ferro na Guiné, e Apolo, que tem sua implementação, em região de aquíferos em Minas Gerais, questionada por ambientalistas.
Também foram paralisados a construção da siderúrgica do Pará (Alpa), e Kronau, um projeto de potássio no Canadá.
Paralelamente, a empresa realiza desinvestimentos, com a venda de ativos de petróleo e de logística, entre outros negócios que fogem do principal foco da companhia.
Entre os projetos prioritários, Serra Sul, em Carajás, no Pará, demandará investimentos de 8 bilhões de dólares para produzir 90 milhões de toneladas anuais. Com desembolsos de 658 milhões de dólares previstos para 2013, O projeto deve entrar em operação no segundo semestre de 2016.
Do total de dispêndios, 10,1 bilhões de dólares irão para execução de projetos, 5,1 bilhões de dólares irão para a sustentação de operações existentes e 1,1 bilhão de dólares ficarão com a área de pesquisa e desenvolvimento (P&D).
Uma das cerca de 100 licenças ambientais recebidas pela Vale neste ano foi para Serra Sul, um licenciamento decisivo para a companhia tocar o seu maior projeto. Após a emissão da licença prévia, a Vale aguarda a licença de instalação.
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