domingo, 22 de novembro de 2015

Infelizmente guerra na Africa

Atentado suicida do Boko Haram deixa ao menos 7 mortos no norte de Camarões
Agência Efe | Nairóbi - 21/11/2015 - 14h42
Hipótese é que grupo terrorista tenha usado mulheres carregando explosivos detonados à distância neste e em outros ataques














Caçadores e vigilantes nigerianos se agrupam contra Boko Haram na Nigéria; atentado em Camarões deixou sete mortos 

Pelo menos sete pessoas morreram e dez ficaram feridas neste sábado (21/11) em um atentado suicida realizado pelo Boko Haram em um vilarejo perto da cidade de Fotokol, na região do Extremo Norte de Camarões, segundo informou a imprensa local.

O atentado, ocorrido em Bourgade de Nigue, é o terceiro do tipo no departamento de Logone-et-Chari desde julho, com um balanço de 27 mortes e dezenas de feridos.

Em 12 de julho, outro atentado suicida tirou a vida de 12 pessoas em Fotokol, capital do departamento, que meses depois, no início de novembro, voltaria a ser alvo do grupo islamita nigeriano em outro atentado, que causou pelo menos cinco mortes.

A segurança na região do lago Chade, onde fazem fronteira Nigéria, Chade, Níger e Camarões, se deteriorou muito nos últimos meses, principalmente pelo aumento dos atentados suicidas.

 
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As forças de segurança trabalham com a hipótese de que não se tratam de atentados suicidas reais: o Boko Haram utilizaria meninas e mulheres para que carregassem explosivos com ameaças e integrantes do grupo costumam detonar as bombas a distância.

O Boko Haram matou mais de três mil pessoas em 2015, apesar de ter perdido a maioria do território que controlava na Nigéria e Chade, que no começo do ano começaram a coordenar ataques contra o grupo terrorista nos arredores do lago Chade.

Apesar dos avanços conseguidos, o Boko Haram continua sendo uma grande ameaça para a segurança da região, em parte porque a Nigéria e seus aliados regionais foram incapazes de mobilizar a força multinacional conjunta que firmaram no meio do ano. 

sábado, 14 de novembro de 2015

É muito sofrimento

'Se for negro, não entra': Polícia italiana impede refugiados de embarcar em trem para Alemanha
Janaina Cesar | enviada especial a Bolzano (Itália) - 26/07/2015 - 08h00
Vídeo: Em estação de Bolzano, na fronteira com a Áustria, autoridades exigem documentação apenas de imigrantes africanos; brancos não são parados








Em Bolzano, cidade na Itália que fica na fronteira austríaca, refugiados negros são impedidos de embarcar nos trens que partem em direção a Innsbruck, na Áustria, e Munique, na Alemanha. A polícia bloqueia as portas dos vagões: se o passageiro for branco, a passagem é permitida, se for negro, pedem pelo passaporte. Como nenhum refugiado possui a documentação, são impedidos de entrar. As polícias italiana, austríaca e alemã trabalham em estreita colaboração. A força trilateral, como é conhecida, nasceu em 2002 com o objetivo de previnir assaltos em viagens internacionais, mas hoje impede que refugiados deixem a Itália.

Janaina Cesar/Opera Mundi


Policial italiano: 'Se for negro, não entra . E se já está dentro deve ser controlado porque é quase certo que não tem documento'

Todos os dias, por volta das 9h da manhã, cerca de cem refugiados chegam à estação de Bolzano, ponto de acesso para ir à Alemanha e aos países nórdicos. No dia 29 de junho, uma segunda-feira, 80 desceram do trem noturno de Roma. A maioria vem de Eritreia, Sudão e Síria. Escapam da guerra, da fome e da miséria. Para conseguir chegar até a Itália, enfrentaram a morte de perto, atravessando o mar Mediterrâneo, que todos os anos faz centenas de vítimas.

Aisha, uma jovem mãe eritreia que viaja com a filha de 2 anos, conta que escapou de seu país por causa da perseguição religiosa. Ela quer ir para Munique, diz ter amigos lá. “Não quero ficar na Itália. Tenho amigos na Alemanha que estão me esperando e vão me ajudar quando eu chegar", conta.

Para quem está há cinco meses viajando, os 280 quilômetros que separam Bolzano de Munique representam pouco — mas são intermináveis. Durante os dez minutos em que o trem permanece parado para o embarque dos passageiros, Aisha e os outros observam os “brancos” entrarem sem problemas e se entreolham tentando entender o que está acontecendo. Mesmo mostrando a passagem de 69 euros de Bolzano a Munique, os policiais não os deixam entrar. Até aquele momento ninguém lhes explicou nada. Os policiais, aqueles que se dão ao trabalho de responder, gastam somente uma palavra: "passaporte". Sem mais.

Pele negra
Segundo declarou um policial italiano que pediu para ficar no anonimato, a cor da pele identifica quem são os refugiados sem documentos. “Se for negro, não entra . E se já está dentro [do vagão] deve ser controlado porque é quase certo que não tem documento”, diz o oficial, relatando qual foi a ordem recebida de seus superiores. “Sei que não é correto, mas é o modo mais fácil de identificá-los. Sabemos que nenhum deles possui visto ou passaporte e por isso não os deixamos entrar no trem internacional.”

O policial italiano diz ainda que nos trens regionais que partem do sul em direção à fronteira austríaca, o controle não é realizado. “Se o sistema de controle funcionasse, eles [os refugiados] nem partiriam do sul [onde ficam os centros de acolhimento]. Nós da polícia de Bolzano temos que enfrentar esse problema sozinhos”, afirma.


 Ainda que seja vedado esse tipo de auxílio pela legislação italiana — segundo a Lei nº 189, de 2002, ajudar um cidadão a entrar ou sair ilegalmente do país constitui crime de favorecimento à 'imigração clandestina' — alguns cidadãos sensíveis a situação dos refugiados, informam e até desenham atrás de passagens não usadas, o percurso que devem fazer para chegar até Munique. Praticamente, devem ir até Brennero, outra cidade italiana de fronteira, pegar o trem regional austríaco até Innsbruck e, chegando lá, pegar o regional alemão para Munique. Tudo isso torcendo para que a polícia local não os peguem e mandem de volta à Itália.

Somente em 2014, a Áustria devolveu cerca de 5.000 refugiados aos italianos. Isso, pois o Tratado de Dublin obriga que o pedido de asilo seja feito no primeiro país onde a pessoa é identificada. No entanto, das 6.000 identificações realizadas ano passado pelo polícia de Bolzano, ninguém retornou para formalizar o pedido de asilo.

Voluntários
Segundo Manoel, um dos voluntários que ajuda no acolhimento dos refugiados na estação de Bolzano, “alguns deles chegam aqui pensando que já estão na Alemanha, não sabem que precisam de documento e visto para entrar naquele país”. É fácil se enganar, porque em Bolzano tudo é bilíngue (italiano-alemão), da placa na estação aos anúncios nos alto falantes. “Explicamos que sem documento não podem pegar o trem internacional e os orientamos a irem com um trem regional à Brennero, uma cidade que fica na fronteira com a Áustria”, diz.


“Na medida do possível, nós os orientamos, mas às vezes a comunicação é muito difícil”, diz Luca de Marchi, também voluntário. “Quando chegam aqui, nós os levamos a uma sala que colocaram [na estação de Bolzano] à nossa disposição, fornecemos sacolinhas com alimentos, além de roupas e sapatos e assistência humanitária. Queremos que essas pessoas, nas poucas horas em que estão aqui, se sintam um pouquinho em casa. Já enfrentaram uma viagem alucinante e queremos oferecer um pouco de tranquilidade e serenidade.”

De Marchi confirma que o problema da discriminação existe, mas, segundo ele, é uma coisa pessoal. “Não se pode generalizar e dizer que a polícia é racista, nós temos um ótimo relacionamento com a força de ordem. Não acho que a questão principal seja a cor da pele. O problema realmente é a falta de documentos”, diz. Para ele, a melhor forma para contrastar a questão dos refugiados, “é trabalhar em silêncio, sem criar atritos”.


Rumo à Áustria
Aisha e um grupo de 60 refugiados decidiram escutar os conselhos de quem se arriscou com a lei italiana e resolveram embarcar para Brennero. Os outros preferiram ficar em Bolzano, para tentar embarcar no próximo trem internacional direto à Innsbruck e Munique — e tentar a sorte de topar com um policial que faça de conta que não os viu embarcar. Segundo Marco, isso já aconteceu, mas é coisa rara.

Uma hora e meia de viagem até Brennero com o trem regional italiano. Mais 13,50 euros de passagem. A bordo reina o silêncio. Alguns aproveitam para dormir, enquanto, no fundo do vagão, uma mãe amamenta seu filho. O trem para. Ponto de chegada. Da estação de Brennero se vê a fronteira com a Áustria. A estação é vazia. Nada de polícia italiana, alemã ou austríaca. Quando os policiais estão nas imediações, alguns atravessam a fronteira a pé, pelas trilhas paralelas à estrada principal. Mas desta vez não.


Essa brecha lhes dá tempo para pedir informação a um jovem que chegou na estação. O trem regional austríaco está ali parado e eles não podem perder a ocasião. O jovem, na maior paciência, os ajuda a comprar as passagens, uma a uma. Às 15h, parte o trem e em meia hora chegam Innsbruck. Aisha está feliz e deixa escapar um sorriso.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O Racismo escancarado do Brasil vai a televisão



Negros não estão representados na dramaturgia, diz diretor

Publicado há 2 dias - em 10 de outubro de 2015 » Atualizado às 12:09
Categoria » Questão Racial - Portal Geledes













 
Cineasta, diretor e roteirista gaúcho, Jorge Furtado, é autor da série “Mister Brau”, da TV Globo, estrelada por Lázaro Ramos e Taís Araújo, primeira série nacional protagonizada por personagens negros e ricos;



“O Brasil tem 52% da população negra ou parda e essa porcentagem não está representada de maneira alguma na dramaturgia, nem na TV nem no cinema. Os EUA, com 13% de população negra, têm mais negros protagonizando filmes e séries”, diz; para Furtado, o Brasil é uma país racista.

Cineasta, diretor e roteirista gaúcho, Jorge Furtado, é autor da série “Mister Brau”, da TV Globo, com Lázaro Ramos e Taís Araújo nos papéis principais. É a primeira série nacional protagonizada por personagens negros e ricos.

“O Brasil tem 52% da população negra ou parda e essa porcentagem não está representada de maneira alguma na dramaturgia, nem na TV nem no cinema. Os EUA, com 13% de população negra, têm mais negros protagonizando filmes e séries”, diz ele.

Questionado pela Folha de a intenção em ‘Mister Brau’ é abordar o racismo, o autor explica que este não é o mote, mas é uma questão que está presente de forma velada. “Nós somos um país racista, tivemos uma abolição tardia.

Essa divisão do país é importante, temos que falar disso para superar. Esse assunto está presente. A vilã (Fernanda de Freitas) não quer conviver com aquelas pessoas, quer se mudar. Ela não diz isso, mas tá ali velado. Ela quer chamar a polícia quando vê os novos vizinhos na piscina. Tá ali também o desconforto com uma ascensão social, uma classe que chega para dividir os espaços”, afirma.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

O Brasil e seu apartheid doloroso



Revistas excluem adolescentes negras: 'Estou no Brasil, mas me sinto na Rússia'
Isabela Reis* Especial para a BBC Brasil -  SET 2014
A pedido da BBC Brasil, a estudante de Jornalismo Isabela Reis analisou o conteúdo de três revistas voltadas para o público adolescente em busca de exemplos concretos da falta de representatividade de meninas negras na mídia. O artigo abaixo faz parte de um especial que busca dar voz a jovens nos principais debates que mexem com o Brasil.


A invisibilidade dos negros na mídia brasileira não é assunto novo, mas as revistas para o público adolescente revelam um quadro cruel de exclusão. Em um país onde 57,8% das meninas de 10 a 19 anos se declaram pretas ou pardas (categorias cuja soma é comumente usada para medir a população negra), as publicações juvenis não as enxergam. Somente as brancas estão nas páginas. Não há diversidade.

É difícil crescer lidando com produtos que não te contemplam. Como explicar para uma pré-adolescente negra, em plena formação de identidade, que ela é bonita, se a revista preferida ignora seu tom de pele? Como enaltecer a beleza afro, se o conteúdo estimula o embranquecimento? Como acreditar que o crespo é normal, se as reportagens só exibem cabelos lisos? Estamos no século 21 e parece que paramos no tempo. Nós queremos existir.

As edições de agosto das três principais revistas para adolescentes do país omitem a população negra. Atrevida, Capricho e Todateen: 294 páginas, apenas cinco fotos de adolescentes pretas ou pardas. Na Capricho, uma imagem estava num anúncio; outra apresentava a nova integrante da equipe de leitoras que colaboram com a revista. Na Todateen, duas fotos estavam no mural de fãs; a terceira, como na concorrente, era da equipe de colaboradoras. E só. A Atrevida não trouxe uma adolescente negra. As cantoras e atrizes pretas ou pardas conseguiram espaço nas publicações pela fama, não pela cor. Foram 114 páginas de padronização e exclusão.

As redações sabem da composição do público. Quatro das cinco imagens foram enviadas por leitoras negras. Elas compram, leem, se interessam, interagem, participam, colaboram. Elas estão presente e são ignoradas. Não havia um editorial de moda com modelos negras, uma seção de penteados para cabelos cacheados e crespos ou uma dica de maquiagem para pele negra. As revistas abordam bullying, sexo, masturbação, compulsões, vícios, sempre com personagens brancas, como se as questões não afetassem ou não interessassem as negras.

Image caption Isabela analisou as edições de agosto de três revistas voltadas para adolescentes no Brasil. 

O racismo também não foi pauta. Estamos em 2014, as pessoas ainda xingam negros de "macaco" e a juventude negra está sendo massacrada. O Mapa da Violência 2014, da Flacso Brasil, denunciou aumento de 32,4% nos homicídios de negros de 15 a 24 anos entre 2002 e 2012. Para cada jovem branco que morre, 2,7 jovens negros perdem a vida. E ninguém toca no assunto.

As revistas não responderam às tentativas de contato. Se retornassem, conseguiriam justificar? É possível explicar a predominância das brancas nas páginas, quando elas são apenas uma parte das meninas de 10 a 19 anos? Se houvesse lógica nos números, 57,8% das imagens deveriam ser de meninas negras. Não é o que acontece.

Somos aproximadamente 9,7 milhões de cores, de cabelos com personalidade própria, de bocas grandes, de narizes largos, de sorrisos lindos, de leitoras, de público que vai pagar pelas revistas, de lucro. E ainda assim, não estamos lá. A mídia nos vende uma realidade que não existe. Vivemos no Brasil, o país da miscigenação. Ao abrir uma revista, me sinto na Rússia.

É cruel com as crianças que crescem com o sentimento de não pertencer ao universo apresentado nas revistas. É cruel com as adolescentes que se convencem que, ao alisar o cabelo e parar de tomar sol, vão se encaixar no padrão irreal. É cruel com as famílias que precisam trabalhar em dobro para promover a aceitação. Deviam ter as revistas como aliadas, mas elas são, na verdade, um desserviço.
*Isabela Reis é estudante de Comunicação Social da UFRJ e tem 18 anos

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

o Brasil enfrenta uma crise limite

UMA SEMANA DE
MAS NOTICIAS
ECONÔMICAS








Foi assim no Brasil - Semana passada foi  o cemitério ou o necrotério de qualquer projeção saudável para o Brasil. Tudo que não era para acontecer e que aumentaria a volatilidade da economia, aconteceu.  O fator  mais cruel para a percepção da crise foi o aumento seguido e implacável da moeda americana.

E é realmente um dos maiores problemas não apenas para o Brasil. O mundo inteiro sofre com a desvalorização do  yuan. E sofre ainda mais com a possível subida da taxa de  juros americana. Aumento da taxa de juros nos Estados Unidos funciona como um sugador de recursos  em todo o mundo. Devido a sua estabilidade monetária e histórico de confiança resistente, os americanos gozam do privilegio de serem exportadores de crises e momentos econômicos ruins e importadores das desvantagens de parceiros e rivais.

Efeitos nocivos sobre o elevado endividamento da Petrobras que o dólar neste valor traz, chega a aumento de até 74,8 bilhões de reais. A divida da Petrobras é em dólares ou outras moedas, o que expõe ainda mais a estatal. Sua receita também é atrelada, ocorre que não aumenta na  mesma velocidade.

O risco é a caminhada do dólar para os R$4,00 reais. Tudo no pais pode explodir, até sua receita de exportações, o que não seria mau.

Disputa por dólares
Na sexta feira havia negociações apertadas entre as varias corretoras e seus clientes. O dólar turismo chegou a R$4,08. Houve quem desse desconto de até 1% na cotação em compras feitas pela internet.


O que podemos aguardar dessa semana que terá apenas 4 dias úteis não se sabe. A crise politico só agrava, mediante abertura de novas investigações dentro do núcleo duro do  governo, os ministros Aloisio Mercadante e Edinho Silva, denunciados pelo dono da UTC Ricardo Pessoa.