quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Agora é a Venezuela, Maduro

Opositores venezuelanos saem às ruas de Caracas e pedem referendo contra Maduro
  • 01/09/2016 17h09
  • Brasília
Da Agência Brasil*

Milhares de venezuelanos saíram hoje às ruas de Caracas em protesto contra o governo de Nicolás MaduroAgência Lusa/EPA/Miguel Gutierrez/Direitos Reservados


Milhares de opositores venezuelanos tomaram as ruas de Caracas hoje (1º) para protestar contra o governo de Nicolás Maduro e pedir a realização de um referendo constitucional para tirá-lo do poder.

Pessoas de todos os cantos do país se reúnem na capital desde a madrugada, apesar de pesados controles impostos pelo governo chavista, muitos deles vestidos de branco ou com as cores amarelo, vermelho e azul, da bandeira nacional. Os organizadores da manifestação, apelidada de "Tomada de Caracas", esperam mais de 1 milhão de participantes. Este é o maior ato desde a onda de protestos populares realizado em fevereiro de 2014, que resultou na morte de mais de 40 pessoas, além da prisão de milhares de opositores, segundo informações da Agência Ansa. 

A marcha está sendo realizada em meio à detenção de diversos dirigentes opositores e a deportação de correspondentes estrangeiros que pretendiam cobrir o ato.

Saiba Mais
Eleito em 2013, Maduro é acusado pela oposição de má administração. Atualmente, o país passa por uma séria crise política e econômica. A Venezuela sofre com uma inflação galopante (a maior da América Latina), acompanhada de uma crise produtiva, problemas de distribuição de produtos de primeira necessidade, mercado atingido por medidas de restrição e regulamentação. O país também atravessa uma séria crise de abastecimento de energia.

Maduro propõe diálogo com a oposição para conter a onda de violência no paísMiraflores Palace/Handout/Divulgação/Direitos Reservados

De acordo com os opositores, as autoridades eleitorais não estão cumprindo os prazos determinados por lei para dar andamento ao processo do referendo que pode tirar o presidente do poder. A pressa da oposição se justifica pelo fato de querer que todo o processo seja realizado ainda neste ano. Isso porque, caso a votação popular fique para o ano que vem e o "Não" a Maduro vença, o presidente deixará o posto para seu vice.

Nicolás Maduro
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores venezuelano informou que Maduro disse que a paz triunfou no país. “Posso dizer hoje, frente a Caracas, a Venezuela e ao mundo que triunfamos. Continuemos pelo caminho do amor, da Constituição, da paz, da convivência e da luta. Continuemos no caminho do socialismo [...]”, afirmou Maduro, em discurso para seus apoiadores na Avenida Bolívar, em Caracas.

Segundo a nota, o presidente venezuelano disse que o governo conseguiu derrotar o golpe de Estado que a oligarquia queria implantar nesta quinta-feira que mergulharia o país na violência. De acordo com a chancelaria, Maduro reiterou seu apelo para que os defensores do governo mantenham-se nas ruas para defender a paz, a soberania, e a liberdade da nação.

Ainda de acordo com o comunicado do governo venezuelano, Maduro também fez um apelo ao diálogo com a oposição para que abandone o caminho da violência e do golpe de Estado.

*Com informações da Agência Ansa
Edição: Armando Cardoso

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